Poucas vezes na minha vida eu me peguei sentindo tanta raiva de uma história. Sei que muitos autores costumam fazer isso propositalmente com um personagem aqui e ali, mas com todos? Conseguir criar a ideia de um livro onde, do primeiro ao último personagem, todos trazem consigo uma sensação ruim é quase um feito.
Quando terminei Verity, não tive aquela sensação típica de fim de leitura — de ficar reflexivo, respirar fundo e pensar "caramba, hein?'. Não. Eu terminei, respirei fundo e pensei: "graças a Deus acabou". E olha que dizem que esse é o melhor livro da Colleen Hoover. Se este é o melhor, eu particularmente não quero ler mais nada dela.
Fui inocente e corri para ler o livro porque a adaptação pro cinema tinha acabado de ser lançada. Eu queria assistir ao filme, e os comentários dizendo o quanto a adaptação era fraca em comparação ao livro me deixaram intrigado. Eu já tinha lido A Empregada e depois vi o filme, e concordo que a adaptação ficou devendo bastante. Mas, depois de Verity, duvido que vá perder meu tempo assistindo a esse filme.
A obra tem tantos pontos negativos que, se eu for enumerar todos, esta resenha vai virar um massacre. Porém, é inevitável destacar dois deles.
O primeiro: quem escreve um manuscrito detalhando coisas horríveis sobre a própria vida — coisas que fez com as filhas ou o que pensa sobre o marido — e simplesmente não conversa com ele? Você é uma escritora, é quem praticamente sustenta a casa, tem uma boa relação com o marido e não comenta com ele que está escrevendo um manuscrito com absurdezes apenas como um exercício criativo para ter ideias? E, para completar o clichê do personagem sem senso crítico, o cara encontra o texto e, em vez de confrontar a esposa, tenta matá-la... Olha, que livro ruim.
O outro ponto — e esse é de matar: você é uma escritora não muito famosa, mas assume a responsabilidade de terminar a saga literária de uma autora de sucesso mundial. Aí você pega esse manuscrito e lê tudo como se fosse um diário secreto. Como uma escritora do mesmo gênero, você nunca ouviu falar dessa "dica de escrita" que a editora deu para ela? Para piorar, você fica em choque ao descobrir que a mulher é praticamente o cão na terra, mas decide continuar morando na mesma casa?
E claro, como em todo enredo questionável da Colleen, você decide transar com o marido dela e se apaixonar por ele só porque ficou com pena de vê-lo cuidando da esposa. No final, quando surge uma carta da mulher explicando todo o caos e você percebe que o marido (que agora é seu) tentou matá-la sem nem dar espaço para explicações, o que você faz? Como uma jovem escritora agora milionária, você decide continuar com ele?!
Sinceramente, ou eu sou muito exigente, ou não dá para enxergar como esse livro pode ser bom. Ele não funciona nem como suspense; é só ruim mesmo, beirando o patético ao mostrar adultos agindo pior do que crianças.
