Eu li Corte de Espinhos e Rosas e olha...



Eu realmente critiquei o livro um tempo atrás, quando escrevi falando sobre as cenas hot aqui e como a história tinha muitos pontos bons, mas vacilava nesse quesito. Porém, eu estava ainda na metade da leitura e não tinha visto tudo o que ela poderia me oferecer. Fui inocente nisso e eu assumo. Contudo, algo me surpreendeu bastante e eu preciso me redimir com a narrativa de Corte de Espinhos e Rosas.


Uma coisa que me cativou profundamente na protagonista, do meio para o fim do livro, é como Feyre é muito maior do que a típica "donzela frágil" de romances fantásticos. Ela possui uma humanidade crua na forma de lidar com os problemas: ela chora, sente um medo paralisante e carrega marcas psicológicas profundas, mas, ao mesmo tempo, demonstra uma força descomunal, movida principalmente pelo amor e pelo senso de proteção àqueles que gosta. Ao acompanhar a sequência de desafios finais sob a montanha, eu já previa que ela sairia vitoriosa, mas o verdadeiro impacto esteve na construção dessa vitória. A forma como tudo foi descrito e a maneira como ela lidou com cada provação, dor e sacrifício moral foram o que realmente me deixaram impressionado e satisfeito com o desfecho.


Analisando a obra como um todo, é impossível não notar como o worldbuilding ou criação de mundos para os intimos de Sarah J. Maas se torna um dos grandes trunfos da história. A transição do mundo humano, frio e miserável, para a riqueza mágica e perigosa de Prythian é feita com maestria. A divisão do reino feérico em diferentes Cortes, com suas dinâmicas políticas e maldições implícitas, aguça a curiosidade do leitor e expande o horizonte da trama, especialmente quando começamos a vislumbrar as nuances e mistérios de outros territórios, como a Corte Noturna.


Por outro lado, o livro não é isento de falhas. A primeira metade padece de um ritmo substancialmente arrastado, onde a narrativa se prende excessivamente à rotina doméstica e contemplativa no palácio da Corte Primaveril, o que pode testar a paciência de quem busca uma fantasia repleta de ação imediata e eu sei que tudo isso foi feito de certa forma proposital. Mas também, o desenvolvimento inicial do romance beira alguns clichês do gênero, com dinâmicas de proteção que por vezes soam possessivas ou artificiais, tornando a paixão inicial menos convincente do que as complexas provações que surgem na metade final. Da mesma forma, alguns personagens secundários promissores acabam ficando em segundo plano por um longo período, dependendo do clímax frenético para finalmente demonstrar sua verdadeira relevância.


Ainda assim, o saldo do primeiro livro é extremamente positivo. Ao equilibrar a fragilidade humana de Feyre com uma narrativa que cresce em tensão, perigo e amadurecimento, a obra consegue superar seu início morno e entregar uma experiência envolvente, preparando o terreno de forma brilhante para a sequência da saga.


No entanto, eu confesso que não parti logo pro segundo livro, na verdade estou preferindo pular pra outra história, porque o livro não me ganhou essa vontade de continuar lendo, mesmo eu assistindo alguns vídeos e ouvindo bastante que o segundo livro é perfeito, pra mim Sarah não conseguiu me fazer ter essa vontade, mas quem sabe um dia eu vá.

Edson N B Junior

Apaixonado por cultura japonesa, por animes, por mangas, por livros, por qualquer coisa que tome meu tempo e utilize muito bem dele.

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