24 de set. de 2024

A quebra de um personagem

 


No mundo dos animes, assim como em outras obras de literatura nos sempre temos aqueles personagens que parecem irrecuperáveis, pois sua personalidade é tão doentia ou é alguém tão nojento, que nos desejamos mais sua morte/sumiço do que ele acabe mudando. E no caso de Tsue tô Tsurugi no Wistoria não é tão diferente assim.


Claro que eu não cheguei a desejar algo ruim para o Wignall, porém desde sua apresentação eu tive um leve ranço sobre ele, pois é o típico Alto Elfo que se acha superior a tudo e todos. E eu tenho péssimas histórias com elfo nos rpg que já joguei.


Porém a transformação de Wignall, é um exemplo clássico de como o orgulho e a arrogância podem ser desconstruídos através de interações significativas com outras pessoas. Inicialmente, sua postura de superioridade e recusa em permitir que pessoas que ele não respeita o toquem simboliza não apenas um sentimento de orgulho racial, mas também uma barreira emocional e social que ele impõe ao mundo. Para ele, o respeito deve ser merecido, e o nosso protagonista Will, com sua ambição e persistência, inicialmente parece indigno desse respeito.


Conforme a história avança, Wignall passa por uma jornada de aprendizado que o força a reavaliar sua própria visão de mundo. Ele começa a perceber que o valor de uma pessoa não está apenas em seu status ou poder, mas na determinação e coragem de enfrentar desafios. Will, com sua obstinação e força de vontade, mesmo quando parece estar em desvantagem, começa a desafiar as suposições de Wignall. Essa mudança de perspectiva é um momento decisivo para o alto elfo, pois ele é confrontado com algo que não pode ignorar: o verdadeiro valor da perseverança.


Essa transformação marca o abandono de sua arrogância. O respeito que ele gradualmente desenvolve por Will não vem de uma simples admiração, mas do reconhecimento de que ele, Wignall, estava equivocado em julgar o mundo através de uma lente de superioridade. Ao começar a respeitar Will, Wignall não apenas reconhece a força do protagonista, mas também abre sua mente para entender que o respeito e a dignidade não são concedidos apenas àqueles que compartilham seu próprio status ou ideias, mas podem ser conquistados através de ações e caráter.


Assim, Wignall se torna uma pessoa melhor porque aprende a valorizar a essência das pessoas, independentemente de sua origem ou poder. Essa "quebra" na sua visão de mundo é um exemplo de como a arrogância pode ser curada pela humildade e pela disposição de ver o outro de maneira justa.

20 de set. de 2024

Gente burra nós filmes de terror

 


Eu odeio filmes de terror, não pelo susto que eu possa vim a ter, ou pelas cenas genéricas que chegam há nem fazer sentindo, mas sim porque as pessoas nos filmes são tão burras, que chega a ser idiota a maneira que eles atuam. E eu fui atrás pra entender isso, e olha, faz sentindo, dá raiva? Sim, mas faz sentindo.


Por que você já percebeu que em quase todo filme de terror os personagens parecem meio lentos? Eles sempre vão investigar barulhos estranhos, entram em lugares obviamente assustadores, ou fazem escolhas que a gente sabe que vão dar errado. Mas, por mais irritante que isso seja, tem um motivo por trás.


Primeiro de tudo, o terror precisa que as pessoas fiquem em perigo. Se todo mundo agisse de forma super inteligente, saindo correndo logo de cara ou se escondendo direito, o filme acabaria rápido e sem graça. A tensão e o medo só acontecem porque os personagens se colocam em situações arriscadas, mesmo que a gente fique revirando os olhos.


Além disso, quando estamos com medo de verdade, nem sempre tomamos as melhores decisões. É tipo quando você se assusta em casa e, ao invés de ficar parado ou sair correndo, vai direto ver o que fez o barulho. Em filmes de terror, esse "pânico" faz parte da diversão. Ver os personagens tomando decisões ruins só aumenta nossa ansiedade, e é isso que deixa tudo mais emocionante.


Também tem o fato de que muitos filmes de terror seguem fórmulas que a gente já conhece. O público meio que espera que os personagens vão fazer besteira. Isso se tornou parte do charme do gênero, quase como uma piada interna entre o filme e a galera que tá assistindo. A gente sabe que a protagonista vai se esconder no pior lugar possível, mas é isso que faz a gente gritar pra TV e ficar ainda mais envolvido.


E, por último, às vezes esses personagens "burros" estão ali pra fazer uma crítica sutil. As decisões erradas podem refletir como, na vida real, a gente também ignora os sinais de perigo ou age sem pensar nas consequências. É tipo uma metáfora de como a gente, como sociedade, também comete erros quando deveria saber o que fazer.


Então, no fim das contas, os personagens de terror não são burros por acaso. Eles fazem o que fazem pra deixar o filme mais emocionante, nos prender na história, e até nos fazer refletir um pouco. Mesmo que a gente continue gritando pra eles não abrirem aquela porta.

2 de set. de 2024

A Filosofia por trás de Hunter x Hunter



Eu me rendi... Eu confesso que me rendi a onda avassaladora que é o Hunter x Hunter, não sei o porquê, nem quando, mas quando vi, estava lendo o mangá e tentando entender como essa obra tem tantos fãs apaixonados, mesmo com suas pausas longas. 


E hoje em dia, já adulto, beirando ai a casa dos 30 anos, tento buscar filosofia e questões de vida em tudo que assisto ou leio, e não foi diferente com Hunter x Hunter. E é disso que falaremos hoje. 


Um dos maiores trunfos de Hunter x Hunter é a profundidade de seus personagens. Nenhum deles é unidimensional; cada um possui motivações complexas, fraquezas, ambições e dilemas morais. Gon, parece inicialmente ser o típico herói shonen, movido pela determinação de encontrar seu pai. No entanto, à medida que a história avança, vemos que ele possui traços muito mais complexos, incluindo uma tendência destrutiva que beira o egoísmo e a obsessão. Sua jornada deixa de ser apenas uma busca pelo pai e se torna uma exploração de sua própria identidade.


Além disso, Togashi é mestre em criar vilões ambíguos, como Meruem, o Rei das Formigas Chimera que por sinal é o meu arco predileto, cuja evolução psicológica desafia as noções tradicionais de maldade. A transformação de Meruem, de um ser implacável e desumano para um ser que questiona o significado de sua própria existência, traz à tona questões filosóficas sobre o propósito da vida, a natureza da bondade e a possibilidade de redenção.


Outro ponto forte é sua abordagem honesta e muitas vezes brutal sobre depressão e o sofrimento emocional. Togashi não tem medo de explorar a escuridão que habita em seus personagens. Killua, por exemplo, lida com a depressão de maneira palpável, sendo alguém que, apesar de sua força e habilidades extraordinárias, se sente preso em um ciclo de autocontrole, culpa e isolamento


A história não trata a depressão como uma fase ou um obstáculo que pode ser superado com força de vontade. Em vez disso, ela é apresentada como uma batalha constante que requer apoio emocional, amizade e aceitação. Essa abordagem realista ressoa profundamente com muitos fãs, que encontram consolo e compreensão nas lutas dos personagens.


Se eu puder jogar uma questão filosófica aqui, eu perguntaria para vocês "Para onde vamos quando não sabemos quem somos?" Essa é a questão central que eu vi enquanto lia, A obra de Togashi é mais do que um simples mangá shonen de ação. É uma exploração filosófica da condição humana, uma crítica às estruturas sociais e um exame corajoso dos dilemas existenciais que todos enfrentamos em algum momento de nossas vidas.


É por isso que, mesmo anos após sua estreia, Hunter x Hunter continua a ser uma obra de referência. Sua narrativa rica, seus personagens complexos e suas reflexões profundas sobre a vida e a morte, o propósito e o destino, fazem dele uma experiência atemporal que sempre encontrará ressonância com novos públicos e continuará a ser uma fonte de inspiração para muitas outras obras por vir.

29 de ago. de 2024

Síndrome de Crepúsculo

 


Eu aprendi gosta de Crepúsculo, porém sempre teve uma coisa que eu me sentia incomodado ao assistir, e até lê depois de um tempo, que era a relação doida desses três personagens. E pra explicar isso, eu vou analisar um pouco o filme.


A relação entre Bella, Jacob e Edward em Crepúsculo é um típico triângulo amoroso, onde tudo muda com a chegada de um novo cara na história. No começo, Bella e Jacob têm uma amizade super legal, e até rola uma química entre eles. Mas Jacob nunca tomou a iniciativa de transformar essa amizade em algo mais.


Quando Edward aparece, tudo vira de cabeça para baixo. Ele é misterioso, charmoso e parece ter uma conexão imediata com Bella. É como se eles fossem feitos um para o outro, e isso deixa Jacob, que estava começando a gostar de Bella, totalmente irritado e inseguro.


Jacob vê Edward como uma ameaça, não só porque ele também gosta de Bella, mas porque percebe que perdeu a chance de ficar com ela antes que Edward chegasse. E para piorar, Jacob sabe que Bella não o vê da mesma forma intensa que vê Edward, o que só deixa as coisas mais complicadas.


Além disso, a questão sobrenatural também pesa. Jacob é um lobisomem e tem esse instinto protetor em relação a Bella, enquanto Edward é um vampiro, o que naturalmente coloca os dois em lados opostos. Isso só aumenta a rivalidade entre eles e faz com que Jacob fique ainda mais frustrado.


No final das contas, a chegada de Edward não só acelera o conflito entre Jacob e seus sentimentos, mas também força ele a encarar a realidade de que, mesmo que ele goste de Bella, ela já escolheu Edward. E é isso que deixa tudo ainda mais difícil para Jacob, porque ele percebe que sua amizade com Bella nunca vai ser o que ele esperava.


E vamos ser sinceros, por mais que isso seja algo que tira suspiro das adolescentes, é uma situação bem chata de se viver, e eu já vi pessoas vivendo isso, por isso eu batizei isso de  "Síndrome de Crepúsculo" que é quando aquela amizade sempre existiu e tudo está ok, porém só chegar outra pessoa na vida, que um dos amigos magicamente decide se apaixonar e sofrer, criando todo um clima maravilhoso para o ambiente. 


Vamos ser mais adultos, e deixar essas coisas para livros e filmes, que lá sim é o ambiente perfeito parar esses dilemas tão bobos, que por sinal me incomoda, pois eu sempre torci para o Jacob ser feliz, e no final ele acaba de uma maneira beeeem triste, que um dia falarei disso. 

25 de ago. de 2024

Se eu pudesse falar telepaticamente com 8 bilhões de pessoas


Eu vejo muito vídeo no tiktok, sobre essa pergunta, e os comentários sempre são os mais doídos possível, pensando sobre isso, eu decidi ver aonde minha imaginação me levaria, me diante ao meu momento como pessoa atual. 


Então imagine que, por um breve instante, você tem o poder de tocar a mente de todos os seres humanos, penetrando nas profundezas dos pensamentos mais sombrios e nos recantos mais isolados da alma. O que você diria, sabendo que sua mensagem reverberar no coração de uma humanidade que se debate entre a luz e a escuridão?


Se eu pudesse enviar uma mensagem telepaticamente para 8 bilhões de pessoas, eu diria: "O abismo que você teme é também o abismo que o observa. E dele, não há fuga."


Escolhi essas palavras porque elas capturam a verdade inescapável de nossa existência. Vivemos em um mundo onde a escuridão não é apenas uma presença externa, mas algo que reside dentro de nós. Cada medo, cada insegurança, cada sombra que tentamos afastar faz parte de um abismo que, inevitavelmente, nos consome. Negá-lo, ignorá-lo, ou fugir dele, não nos salva—apenas nos arrasta mais profundamente para suas garras.


O abismo que menciono não é apenas o medo da morte ou do desconhecido; é o reflexo de nossa própria alma, daquilo que preferimos não ver. É a escuridão que carregamos, as cicatrizes não curadas, os segredos que enterramos. E, ao mesmo tempo, é a escuridão do mundo ao nosso redor, que cresce e se expande à medida que nos afastamos da luz.


Esta mensagem, embora sombria, é também uma convocação. Ela nos força a encarar aquilo que evitamos por tanto tempo. Não há fuga porque o abismo é parte de nós—somos tanto os criadores quanto as vítimas desse vazio que habita em nossa essência. E até que o confrontemos, continuaremos presos em um ciclo de desespero e ilusão.


Escolhi dizer isso porque acredito que somente ao aceitar a escuridão, ao olhar nos olhos do abismo, podemos começar a compreender nossa verdadeira natureza. A fuga, a negação, e o autoengano só prolongam nosso sofrimento. Se todos pudessem parar, por um instante, e reconhecer a sombra que carregam, talvez pudéssemos finalmente começar a transformação que tanto desejamos, mas que sempre tememos.


O mundo em que vivemos é denso, frio, e muitas vezes cruel. Há uma beleza trágica em reconhecer que, no fim, somos todos apenas reflexos de um vazio maior. Mas há também um poder imenso em entender que, ao nos tornarmos conscientes do abismo, temos a chance de moldar o que ele significa para nós.