
Se todos estão nadando nesse mar, aproveitando a onda que é falar sobre bets, cassinos e coisas a fim, por que eu não faria algo do tipo, não é mesmo? E falar sobre algo assim é tão fácil que não precisa de muito tempo de pesquisa ou de ser algum tipo de escritor/blogueiro/jornalista; você apenas pensa sobre e todos os pontos vêm com uma facilidade enorme, seja você defendendo ou sendo contra essa proibição.
Claro que, como qualquer pessoa com no mínimo dois neurônios, eu sou mais um dos que são a favor do fim das bets. Na verdade, sou a favor do fim de qualquer coisa que envolva cassino, apostas ou coisas do tipo que fazem você achar que tem chance de conseguir algo que matematicamente já foi comprovado que você não pode conseguir — isso, claro, se os "jogos" não forem alterados para que você perca... O que, adivinha só, eles são! Todos, sem sombra de dúvida, são programados para que você perca, e perca muito, para talvez te darem alguma coisinha e você falar: "A casa tá pagando, bebê!".
Quando pensei em escrever sobre esse assunto, eu me peguei em um certo dilema bobo, porque não vou mentir: eu já tive meus momentos de ficar jogando no tigrinho achando que ia conseguir algo. Principalmente porque meus amigos tiravam 500, mil, 2 mil reais apostando apenas 10 reais. Como isso não enche os olhos de alguém? Aí ia eu lá, com 10 reais, fazer a mesma coisa e perdia tudo em apenas 2 minutos. Mas me sinto menos idiota porque nunca passou disso, nunca foi nada além disso. E aí eu comecei a ler, estudar um pouco e pesquisar sobre como funcionavam cassinos no geral — o que, sejamos sinceros, nem é algo difícil de entender e nem vou querer méritos para me achar inteligente. Eu li, vi e entendi que a banca sempre vai ganhar, independentemente da situação.
Outro ponto que me fez pensar bastante é porque eu adoro um sorteio, adoro uma rifa, adoro essas coisas em que tenho que contar com a sorte. Quase sempre o prêmio nem é algo interessante, mas essa adrenalina sempre me contagiou. E aí que eu me peguei pensando: "Humm, será que sou diferente de quem vai lá e gasta com o tigrinho?". E bem, novamente não precisei pensar tanto, a resposta está na cara: eu compro um número em uma rifa por 5 reais, e eu já entendi que não existe isso de quanto mais números você comprar, mais chances tem de ganhar, porque às vezes aquela pessoa que comprou um número só vai lá e leva. E o que é isso? Sorte...
Agora, quem vai lá e começa no tigrinho com 10 reais e, por loucura, ganha 50, pensa que se apostar mais, ganha mais; quanto mais aposta, mais perde. Porém, na cabeça, só uma coisa é pensada: "Eu posso recuperar tudo". Por qual motivo isso acontece? Olha, é nítido: quando ele apostou 10 reais pela primeira vez e ganhou, ele colocou na cabeça que isso é sensacional. Por isso, ele se vê na obrigação, consigo mesmo, de ir apostar mais, cada vez mais. Enquanto o dinheiro é apenas o que sobra no fim do mês ta beleza — e bem, vivendo no Brasil, sobrar algo no fim do mês já é algo pelo qual temos que agradecer muito aos céus. No entanto, quando o dinheiro é o das compras do mês... Ah, mas tá tudo bem, ele vai apostar e pegar o dobro... Aí, nesse mês, são 100 reais a menos nas compras; no outro mês, ele aposta o dinheiro do gás; depois aposta o dinheiro da luz; e quando vai ver, foi o dinheiro do aluguel. E olha, eu sei que pode parecer exagero da minha parte, mas isso é tão real, mais tão real, que basta pesquisar histórias assim que você encontrar um monte.
Porque quem é atingido por esse vício sempre será a classe C e D. Não vai ser o Carlos, médico que recebe 80 mil por mês; vai ser o João, que é pedreiro e tem uma diária de 100 reais. É essa pessoa que vai sofrer.
E olha com o argumento mais absurdo possível, você pode falar: "Mas aposta quem quer, ninguém obrigou...". E de fato isso é verdade, mas se subir um pouquinho o texto, você vai ver que comentei que também tive meu momento de apostas porque vi meus amigos tirando 500, mil e até 2 mil reais, certo? É assim que o João, pedreiro, também é pego. Ele abre o Instagram e vê um influenciador que está nadando em dinheiro, que vai a um restaurante e em um almoço gasta mais do que toda uma semana sofrida de trabalho do João. Como isso não mexe com alguém? O João, debaixo de um sol de rachar, clica no story seguinte e vê esse influenciador dizendo que, se o coitado do João quiser viver o que ele vive, basta clicar naquele link porque, olha só... O tigrinho está pagando muito, a plataforma nova não para!
Enfim, eu tenho muito mais para falar sobre isso, principalmente sobre os influenciadores que divulgam essas casas de apostas, mas vou deixar isso para os próximos posts.
Lembrem-se, pessoal: vício é uma doença e tem tratamento. A sua vida não acabou porque as casas de aposta foram proibidas no Brasil; talvez isso seja um sinal do universo para você abrir os olhos e ir viver.