Depois de passar quase dois meses lendo três livros seguidos com romances genéricos voltados ao público adolescente, é com um enorme sentimento de alívio e empolgação que venho falar sobre A Joia da Alma, escrito por Karen Soarele. Fico feliz em diversos aspectos. Primeiro, por ser uma obra de fantasia sensacional, que consegue capturar e entregar com maestria absolutamente todos os elementos e tropos que qualquer fã do gênero ama. Segundo, por ser uma história intrinsecamente ligada ao RPG de mesa, o que representa uma das minhas maiores paixões na vida.
A Karen Soarele realizou um trabalho impecável ao traduzir para a escrita a verdadeira experiência de estar ao redor de uma mesa de jogo. Ela soube colocar em palavras aqueles momentos únicos que só quem joga conhece: as interações imprevisíveis entre os personagens, os alívios cômicos nas horas mais inusitadas, a tensão das batalhas decisivas e o peso emocional de cada decisão. A narrativa flui como uma excelente sessão de RPG, mantendo o leitor preso do início ao fim, curioso para saber o rumo de cada acontecimento como se estivesse aguardando o resultado de uma rolagem de dados.
O ponto mais marcante de toda essa experiência é o orgulho de saber que se trata de uma obra 100% brasileira. Karen Soarele não é apenas uma escritora extremamente talentosa, mas também uma jogadora apaixonada pelo hobby, o que transparece em cada linha da história. Além disso, o livro se passa no universo de Tormenta, o maior e mais tradicional sistema de RPG do Brasil. Ver a riqueza de Arton, com suas divindades, raças e cenários vibrantes, representada de forma tão marcante na literatura nacional é algo que todo entusiasta de fantasia no Brasil deveria celebrar.
Se você busca uma leitura envolvente, repleta de aventuras marcantes, personagens cativantes e aquele gostinho nostálgico de uma boa campanha entre amigos, A Joia da Alma é uma escolha obrigatória. É uma prova viva de que a fantasia e a literatura geek brasileira estão mais fortes, maduras e inspiradoras do que nunca.
E depois de ler o livro, você terá a mesma sensação que eu: o Dok é o melhor personagem, claro, depois da Oihana
