A falta que você me faz

Esse vai ser um post diferente dos que eu costumo escrever aqui, e tudo isso por causa de uma música que eu ouvi recentemente graças ao meu irmão caçula. Meus dois irmãos adoram ouvir música e descobrir novos artistas pelo mundo, enquanto eu já sou mais de curtir os mesmos que sempre escuto, por saber que as músicas são boas. Mas não tem como negar que a criatividade das pessoas sempre me surpreende.

Há pouco mais de dois dias, meu irmão me colocou para ouvir o Tiny Desk de um cantor argentino que, de acordo com ele, iria me surpreender pela forma como o cara sabia compor. Lá fui eu, inocente, achando que iria ouvir algo legal e simples. No entanto, quando terminou, fiquei bastante pensativo sobre algo que está sempre na minha mente.

Já faz alguns anos que perdi meu pai. Não gosto de lembrar o dia, o mês ou sequer o ano, porque isso me faz entender o quanto tempo se passou e como isso acaba me destruindo e fazendo meu dia ser bem ruim. Mas já faz alguns anos, e, desde o momento em que ele partiu, eu não consigo me ver longe dele. Não consigo me enxergar neste mundo sem a sua presença, é louco como, em cada situação por que passo ou vivo, eu me lembro de nossas conversas e busco na minha mente certas lembranças. É como se, mesmo tendo partido, eu ainda tivesse os conselhos dele me guiando na vida, me ajudando a caminhar. Mesmo que ele tenha partido, ele não partiu...

E é muito doida essa ideia de perder alguém. Eu trabalho na área da saúde há uns nove anos e convivo quase diariamente com a ideia da morte, mas a ideia de perder alguém? Sabe, a pessoa estar ali contigo e agora não estar mais? Demorou para a ficha cair sobre isso, demorou para enxergar essa ausência, e agora o que me resta é a saudade. Depois que ouvi a música Niño, do Milo J, eu pensei: "Então é assim que alguém sente a perda?". Ver alguém colocando em palavras e em música o que eu sinto.

Óbvio, eu sei, existem zilhões de músicas que falam sobre a perda, e eu já ouvi muitas delas. Mas quando você escuta uma sem querer, quando é pego de surpresa, isso é algo que mexe com você. A sua mente começa a disparar milhões de pensamentos, disparar milhões de lembranças, de dores, de felicidades... a sua mente só pensa em uma coisa:

Eu sinto falta.

E olha, esse sentimento, a saudade, a falta de alguém que já partiu, é algo que eu não consigo desejar nem para a pessoa que algum dia me fez mal ou que algum dia irá fazer. O medo, o sentimento de impotência, de saber que você não pode fazer nada, absolutamente nada... Você só pode sentir, e sentir calado, porque não há grito no mundo que faça a pessoa voltar. Não há lamentação ou desejo: nada vai trazer a pessoa que você tanto amou de volta. E isso dói, olha como isso dói... Mas é, infelizmente, algo que precisamos passar, algo que precisamos viver. Quer você queira ou não, você vai viver.

Então eu faço esse pedido não só por mim, mas também pelo meus irmãos: abrace, beije, converse, ria com alguém que você ama. Troque, sim, uma noite na rua com seus amigos; troque, sim, uma virada de noite jogando; troque o que for necessário para passar um minutinho a mais com aqueles que você ama. Porque pai e mãe infelizmente não são imortais e, pela lei natural da vida, eles vão antes da gente.

E se você, assim como eu, teve um pai presente, que acompanhou cada passo seu, acompanhe também cada passo dele. Mesmo que seja o último, esteja lá por ele, como ele esteve por você quando você nasceu.

Te amo, pai. A falta que você me faz me dói até hoje.

Edson N B Junior

Apaixonado por cultura japonesa, por animes, por mangas, por livros, por qualquer coisa que tome meu tempo e utilize muito bem dele.

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