Shonen é genérico demais? A fórmula por trás de Black Torch, Gachiakuta e Tougen Anki


Se você acompanha a nova safra de mangás de ação, provavelmente já teve aquela sensação incômoda de déjà-vu. Ao colocar Black Torch, Gachiakuta e Tougen Anki lado a lado, fica evidente como a estrutura do shonen moderno repete moldes quase idênticos. O enredo central é praticamente o mesmo, mudando apenas a roupagem estética, o verniz conceitual ou o poder da vez. Não se trata de uma simples coincidência, mas da aplicação estratégica de uma fórmula comercial que sacrifica a originalidade em nome de um sucesso previsível, totalmente diferente do que já assistimos nos animes da nossa infância 

A semelhança começa na própria construção dos protagonistas. Jiro Azuma em Black Torch, Rudo em Gachiakuta e Shiki Ichinose em Tougen Anki são espelhos uns dos outros. Todos se encaixam no arquétipo do jovem impulsivo, mal compreendido e rejeitado pela sociedade, empurrado para a marginalidade por razões fora de seu controle, bem pelo menos o Rudo é assim, mas ai temos o Jiro e Shiki que são a clara personificação de delinquente. E para alimentar essa narrativa, surge a conveniente amnésia sobre as próprias origens: o passado desses personagens é um grande buraco negro. Nenhum deles sabe realmente de onde veio, quem eram seus pais ou o verdadeiro motivo da perda de seus guardiões, reservando esse mistério para ser revelado no momento mais conveniente da trama sob a forma de um "poder hereditário".

O catalisador da história também segue uma cartilha rígida. Para combater as ameaças de seus respectivos mundos, o protagonista precisa se apoderar da própria força do inimigo. Jiro faz um pacto de fusão com o Mononoke Rago; Rudo é lançado ao Abismo e desperta a habilidade de manipular os objetos descartados; Shiki descobre carregar o sangue dos lendários Oni para confrontar os Momotarou. 

Em seguida, o roteiro os força inevitavelmente a entrar para uma organização secreta ou escola especializada, seja a Unidade Black Torch, os Zeladores ou a Academia Rakshasa, onde encontram um mentor experiente e brincalhão, um rival de personalidade oposta e uma tutora linha-dura.

As poucas divergências entre as obras são meramente visuais e superficiais. Black Torch aposta numa estética ninja urbana fortemente inspirada no estilo de Bleach. Gachiakuta tenta se destacar com um traço punk focado na crítica ao consumismo e à cultura do descarte. Tougen Anki busca originalidade invertendo o folclore tradicional japonês ao transformar os demônios Oni em heróis e os justiceiros Momotarou em vilões.

No entanto, por baixo dessas camadas de tinta, a espinha dorsal é exatamente a mesma. Os arcos de treinamento, o ritmo dos confrontos e as reviravoltas sobre o passado dos personagens se desenrolam de forma espelhada. Essa repetição contínua prova que a indústria muitas vezes prefere reciclar clichês testados a arriscar novas estruturas narrativas.

E sabe o mais engraçado? Eu assisti todos eles e gostei de todos...
Edson N B Junior

Apaixonado por cultura japonesa, por animes, por mangas, por livros, por qualquer coisa que tome meu tempo e utilize muito bem dele.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Mais Lidos

Tag \ô/

O Estranho Mundo do K-Pop