19 de mar. de 2025

Vinland Saga é bom demais


Recentemente eu me peguei muito perdido no que assistir, tantos animes bons em meio de centenas de animes ruins que acaba fazendo a balança ficar meio ruim, e aí eu acabo me vendo sendo obrigado a ir para os animes que todo mundo fala, pra ver se de fato vale a pena. E foi aí que eu encontrei Vinland Saga, muito por acaso e sem nenhuma expectativa de que o anime fosse tão bom como de fato ele é. 


E agora vamos destrinchar isso, Se existe um anime que eleva o gênero de ação histórica a um novo patamar, esse anime é Vinland Saga.  A obra se destaca por seu realismo brutal, personagens complexos e uma narrativa que vai além do simples desejo de vingança.


O protagonista, Thorfinn, inicia sua jornada motivado pelo desejo de matar Askeladd, o homem que assassinou seu pai. No entanto, ao longo da história, percebemos que Vinland Saga não é apenas sobre batalhas sangrentas, mas sobre o peso da guerra e a busca por um propósito maior.


E calma, nada disso é spoiler, isso é basicamente o plot da história, você começa assistir já sabendo disso, inclusive eu já sabia disso, sem ao menos saber do que se tratava o anime. 


A criança que admirava seu pai se torna um jovem implacável, dedicando sua vida a vingar-se de Askeladd. No entanto, em uma reviravolta interessante, ele não busca sua vingança por meio da fúria desenfreada, mas sim desafiando Askeladd repetidamente para duelos justos. O mercenário, por sua vez, manipula Thorfinn, transformando-o em uma arma útil para seus próprios interesses.


Embora Thorfinn seja o personagem principal, Askeladd é quem realmente carrega a narrativa da primeira temporada. Ele não é um simples vilão; é um estrategista brilhante e um personagem ambíguo, cuja motivação pessoal se revela aos poucos. Sua visão de mundo e suas decisões impactam diretamente o crescimento de Thorfinn e o destino da história.


Ao longo da temporada, Askeladd se envolve nos conflitos políticos da Inglaterra e da Dinamarca, especialmente na luta pelo trono do jovem príncipe Canute. Esse arco adiciona uma camada de complexidade à trama, saindo do clichê da simples vingança para um jogo de poder e manipulação.


Eu fui assistir achando depois de alguns episódios que era só mais um anime de vikings com lutas bem animadas, porém eu percebi que o anime é muito mais voltado para filosofia, religião, buscar entender quem nós somos de verdade, na qual eu curti muito mais as cenas de diálogos e conversas do que as de luta. 


E toda essa minha opinião é pautada somente na primeira temporada, pois foi a que eu assisti até agora. 


15 de mar. de 2025

Eren Yeager e a Síndrome de Jesus: Quando a Salvação se Torna um Fardo



Se existe um personagem no mundo dos animes que exemplifica a obsessão por uma missão redentora, esse personagem é Eren Yeager, de Attack on Titan. Sua trajetória, desde um jovem impulsivo até um líder revolucionário, carrega semelhanças inquietantes com o que conhecemos como Síndrome de Jesus, um fenômeno psicológico onde o indivíduo se vê como o salvador da humanidade. Mas até que ponto Eren se encaixa nesse arquétipo messiânico? 


Desde o início da série, Eren se mostra guiado por um desejo intenso de liberdade. Sua frase icônica, "Eu nasci livre!", ecoa sua convicção inabalável de que o mundo está aprisionado e que ele é o único capaz de libertá-lo. Isso se intensifica quando ele descobre os segredos da família Yeager e compreende o papel que pode desempenhar na luta contra Marley.


Em sua evolução, Eren começa a acreditar que apenas ele tem o direito e o dever de decidir o destino do mundo. Ele se torna uma figura quase mitológica para os habitantes de Paradis e um terror para o restante da humanidade. Seu plano de extermínio em massa pelo Retumbar não é apenas uma estratégia militar, mas uma verdadeira “purificação”, um sacrifício que ele está disposto a fazer para criar um mundo onde seus amigos possam viver livres.


A Síndrome de Jesus se manifesta em pessoas que acreditam ter sido escolhidas para salvar a humanidade, mesmo que isso exija medidas extremas. Em Eren, podemos identificar características desse transtorno, tais como:


- Convicção absoluta de que seu caminho é o único certo: Mesmo diante de alternativas e conselhos de seus amigos, Eren insiste que o extermínio é a única solução.

- Auto-sacrifício e martírio: Ele sabe que sua jornada o levará à destruição, mas aceita isso como parte de sua missão.

- Interpretação de eventos como sinais divinos: A conexão com as memórias do Titã Fundador faz com que ele veja o passado e o futuro de maneira determinística, como se seu destino já estivesse escrito.

- Sensação de perseguição e oposição ao sistema: Desde criança, Eren se sente preso em um mundo injusto e vê os Titãs e Marley como opressores que precisam ser eliminados.


Diferente da imagem tradicional de um salvador, Eren não busca redenção através do amor ou do perdão, mas sim através da destruição. Seu caminho lembra figuras históricas e mitológicas que acreditaram ser heróis, mas acabaram se tornando vilões aos olhos do mundo. Seu arco final em Attack on Titan nos faz questionar: ele realmente salvou alguém ou apenas trocou um opressor por outro?


O que torna Eren um personagem fascinante é justamente essa ambiguidade. Ele é um herói para Paradis, um monstro para Marley e, no fundo, um ser humano dilacerado pelo peso de suas próprias convicções. Seu sacrifício final, onde ele permite que Mikasa o mate, pode ser interpretado como a última peça de sua jornada messiânica: o salvador que precisa morrer para que sua visão de mundo se concretize.


Eren Yeager é uma das figuras mais complexas do mundo dos animes, e sua trajetória nos leva a refletir sobre o perigo das ideologias extremas. Sua jornada, repleta de sofrimento e obsessão, se encaixa perfeitamente no arquétipo de alguém com a Síndrome de Jesus, transformando-o não apenas em um personagem inesquecível, mas em um símbolo da linha tênue entre redenção e destruição.

12 de mar. de 2025

O que está acontecendo com Sakamoto?



Parece ironia que no começo da temporada eu fiz um post exaltando Sakamoto Days, falando bem da comédia, do enredo, de toda a ideia que o anime trouxe para o universo otaku. E que no final da temporada está sendo um anime extremamente maçante, na qual eu me pego vendo por ver mesmo, pois vontade de dropar está presente desde a primeira parte do anime. 


Eu sei que o foco nunca foi a animação e nem tem como e usar ela como régua de comparação para qualidade, se eu for colocar animes como Solo Leveling aqui, isso chega ser humilhante, mas não posso deixar de ressaltar que eu acho sim a animação bem feia, mas ela não é o ponto crucial para o declínio do anime.


O grande problema em muitos animes de comédia é como criar outros cenários dentro de um enredo que quase sempre é devagar, já que animes de comédia dificilmente possuem grandes evoluções, plot twist ou coisas do tipo, sempre estão navegando no mesmo barco e nunca mudando a história, só acrescentando um personagem ali e aqui, E em sua grande maioria funciona essa mecânica, o que não é o caso do Sakamoto, querer usar como base a comédia, mas ao mesmo tempo ter de enredo uma ação, deixa o anime muito parado ou quem sabe andando em círculos, já que todo episódio é a mesma coisa "alguém vê a recompensa sobre o sakamoto, vai atrás dele, chega no mercado, encontra sakamoto, diz que vai matá-lo, sakamoto e seus aliados para o cara, ele se arrepender e vai embora, fim do episódio" todo episódio é isso, ou as vezes vem um episódio por exemplo que eles vão no parque de diversão, aí tem todo aquele roteiro que eu falei, mas substitui chegar no mercado, para encontrar com sakamoto no parque...


Eu aceitei ver o anime porque eu senti um potencial muito grande da história, animação de fato não é boa, o designer de personagem então só Jesus, porém a história tinha potencial, mas acabou criando aí mais um anime clichê de comédia que é bem genérico em vários aspectos. 


Para ter uma ideia em seu lançamento o anime estava no top 3, perdendo somente para Solo Leveling dos mais assistidos, todo mundo amando, até começar a ver que o anime funciona através de um carrossel de acontecimentos que com 3 minutos de anime você já consegue deduzir absolutamente tudo que vai acontecer.


E o pior é que muita gente falou que o mangá é muito bom, os personagens são melhores trabalhados, e muito mais desenhados e a história é mais interessante, em comparação ao anime, então acabamos entrando aí em mais uma espiral de obras que não devemos experimentar a animação e ficar somente com a obra original. 


Falta ainda uns 2 ou 3 episódios pra terminar tudo, mas eu já adianto que minha nota no MAL não vai sair de 2. Um anime muito mal aproveitado.  


7 de mar. de 2025

Fuguushoku kanteishi anime fadado há ser ruim


Eu já havia falado aqui como eu fiquei incomodado com o anime que apresentou um personagem sem evolução, sem raiva, sem ambição, alguém que é fácil de se manipular e vive mais os sonho dos outros do que o seu próprio. 


E vamos lá todo otaku já passou por isso: começa um anime cheio de expectativa, a sinopse promete algo interessante, a animação parece decente… mas então, em poucos episódios, percebe que o anime entrou na famigerada zona do harém genérico. Se você não curte esse estilo, a frustração bate rápido e o drop é praticamente inevitável. E Fuguushoku 'Kanteishi se encaixa perfeitamente nessa categoria.


O problema não é só a presença do harém, mas como ele toma conta de tudo. O enredo, que poderia se aprofundar no potencial do protagonista, acaba servindo apenas como desculpa para introduzir mais personagens femininas que seguem arquétipos previsíveis: a tsundere, a inocente apaixonada, a guerreira badass que logo se rende ao charme do protagonista. Isso faz com que a progressão da história fique rasa e repetitiva, afastando qualquer espectador que esperava algo mais envolvente. E ai toda aquela ideia de que o anime pode evoluir, vai por água a baixo. 


Se você curte haréns e quer apenas um anime leve, sem se preocupar com coerência narrativa ou desenvolvimento profundo dos personagens, pode até se divertir. Mas se você busca algo mais elaborado, com uma história que realmente te prenda, passa beeeem longe desse anime.

3 de mar. de 2025

Conclave é Garotas Malvadas da Igreja



Eu assistir Conclave fazendo um ritual que eu gosto muito que é pegar o filme sem ver a sinopse, apenas clicar e ir, e agora parando pra pensar, falar de ritual em um filme católico não pega bem né? Mas além de todo essa trama boa, o filme pareceu muito pra mim uma ideia católica de Garotas Malvadas, absurdo? Enfim, me deixe descrever melhor isso. 


Dirigido por Edward Berger, Conclave é um drama político e religioso que mergulha nos bastidores da escolha do novo Papa após a morte repentina do pontífice anterior. O filme, baseado no livro homônimo de Robert Harris, acompanha o Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) enquanto conduz o processo de sucessão em meio a tensões ideológicas, segredos e interesses que transcendem a fé. 


Uma boa sinopse eu sei, e por ver o Ralph Fiennes na capa eu já fui ver sem nem querer entender do que se tratava, e como sempre o cara sabe atuar como ninguém, o que me surpreendeu a forma como ele conseguiu trazer um personagem mais "frágil" ou "imponente" perante há tudo que está acontecendo, gostei de ver essa dualidade do ator. 


A narrativa se desenrola dentro da Capela Sistina, onde os cardeais se isolam do mundo exterior para decidir o futuro da Igreja Católica. O que deveria ser um processo sagrado e ordenado rapidamente se torna um jogo de estratégias, onde diferentes facções tentam influenciar a escolha do novo líder. O longa explora as divisões dentro da Igreja, abordando temas como conservadorismo, modernização e a crescente pressão para que a instituição se adapte às mudanças sociais, porém não, não é um filme com a ideia de querer "lacrar" é apenas um filme mostrando dois pontos diferentes de visão sobre o futuro que querem para a igreja como o todo.


Mais do que um drama religioso, Conclave se posiciona como um thriller político sofisticado, que dialoga com questões contemporâneas sobre poder, ética e transformação institucional. A obra não apenas revela os bastidores de um dos processos mais sigilosos do mundo, mas também convida o espectador a refletir sobre o impacto das decisões tomadas longe dos olhos do público.


Porem como eu falei, uma coisa que eu gostei no filme é como eu enxerguei Garotas Malvadas nessa história e eu vou comentar sobre isso agora, com pontos cruciais ok?


Em Garotas Malvadas, a escola é um campo de batalha onde existe toda uma hierarquia. Em Conclave, a Capela Sistina funciona do mesmo jeito, só que com batinas e sem celulares. Os cardeais formam grupinhos, cochicham pelos corredores e até tentam puxar o tapete uns dos outros para colocar seu candidato favorito no poder. 


No mundo de Garotas Malvadas, o Burn Book expõe os podres de todos os alunos. No Conclave, os segredos também são armas poderosas – só que aqui, são revelados em sussurros dramáticos entre os cardeais. Quem tem um passado duvidoso? Quem está escondendo alianças secretas? O jogo sujo nos dois filmes é real.


O objetivo central em ambos os filmes é a sucessão do trono. Em Garotas Malvadas, Regina George quer manter o poder, mas Cady Heron surge como uma desafiante inesperada. No Conclave, os cardeais mais influentes batalham para garantir que seu candidato saia vitorioso. No fim, a decisão está nas mãos de um grupo fechado que pode virar o jogo a qualquer momento.


Cady Heron começa como uma garota inocente e acaba se tornando uma versão maquiavélica de Regina George antes de encontrar redenção. No Conclave, o Cardeal Lawrence chega acreditando que o processo será justo, mas logo percebe que a política e a manipulação dominam o jogo. Ambos precisam escolher entre jogar sujo ou seguir suas convicções.


Regina George, Gretchen Wieners e Karen Smith dominam a escola com um punho de ferro e regras rígidas. No Conclave, um grupo de cardeais conservadores faz exatamente o mesmo, garantindo que tudo continue como sempre foi. Ambos os grupos tentam eliminar concorrentes e manter seu poder intocado.


No fim das contas, Conclave e Garotas Malvadas são duas faces da mesma moeda: intriga, alianças, traições e uma luta pelo topo. A diferença? Em um, a coroa é um chapéu rosa e, no outro, um anel papal. E a lição final? Cuidado com quem você confia, porque, seja na Capela Sistina ou no corredor do colégio, todos querem ser o líder supremo.


E pra finalizar para valer, eu vou relatar aqui que eu só sei sobre Garotas Malvadas porque fui obrigado assistir semana passada pela minha namorada, e hoje eu tive que pedir ajuda dela com os nomes de cada personagem, mas que a comparação é real isso ai é inegável. Enquanto tinha gente dizendo que era um Game of Thrones eu preferi trazer de fato uma comparação digna.