18 de jan. de 2026

Stranger Things não soube termina



O final de Stranger Things não foi exatamente ruim, mas também não foi o que muita gente esperava, e talvez seja aí que tudo começou a dar errado.


Durante anos, a série foi tratada como mais do que uma história. Ela virou memória afetiva, trilha sonora da adolescência tardia de muita gente, refúgio em tempos estranhos. Cada temporada vinha carregada de nostalgia, mistério e a promessa silenciosa de que tudo aquilo levaria a um encerramento grandioso, inesquecível, quase histórico. 

A internet ajudou a inflar isso. Teorias, expectativas, comparações, apostas emocionais. O final precisava ser perfeito, e quando algo precisa ser perfeito, quase sempre já nasce condenado.


Quando a série terminou, o que se viu foi uma divisão clara. De um lado, pessoas satisfeitas, emocionadas, gratas pela jornada. Do outro, gente frustrada, decepcionada, sentindo que algo faltou. Não necessariamente um evento específico, mas um impacto. Um risco maior, um fechamento que doesse mais.


Talvez o problema não tenha sido o final em si, mas o que projetamos nele. Stranger Things sempre flertou com o conforto, mesmo quando lidava com o horror, havia ali uma zona segura. Personagens queridos, trilhas conhecidas, referências que abraçavam o espectador. E no fim, a série permaneceu fiel a isso, não traiu sua essência, só que, para muitos, isso já não bastava.


Existe uma expectativa estranha de que finais precisam ser disruptivos, chocantes, quase traumáticos, para serem bons, se não desmontam tudo, se não ferem profundamente, parecem insuficientes. Mas também existe o outro lado. Às vezes, encerrar é apenas isso: fechar um ciclo sem destruir o que foi construído.


A internet, como sempre, amplificou tudo, gostar virou sinal de ingenuidade. Não gostar virou sinônimo de inteligência crítica. E no meio disso, se perdeu algo simples: nem todo final precisa agradar a todos. Algumas histórias terminam do jeito que conseguem, não do jeito que prometemos a nós mesmos que elas terminariam.


Talvez Stranger Things tenha terminado exatamente como viveu. Entre o medo e o afeto. Entre o caos e a familiaridade. E talvez a frustração venha do fato de que crescemos enquanto a série crescia, e esperávamos que ela acompanhasse nossas dores adultas com a mesma intensidade.


No fim, não é só sobre uma série. É sobre expectativa. Sobre apego. Sobre o momento em que percebemos que certas histórias significaram mais para nós do que para elas mesmas.


E isso dói um pouco. Mas também diz muito sobre quem somos agora.

6 de jan. de 2026

Pessoas transitórias


Talvez este seja o texto mais reflexivo que eu já escrevi. E, sem dúvida, um dos mais sinceros. A ponto de me fazer pensar se o nome do blog ainda faz sentido, ou se isso aqui já é o começo de uma nova fase, uma nova forma de pensar e escrever.


Mas afinal, o que é uma pessoa transitória?


Eu nem sei se esse termo existe, pesquisando hoje nesse grande oráculo moderno chamado TikTok, cheio de curiosidade rasa e certezas absolutas sim, foi ironia, vi muito sobre pessoas temporárias, pessoas passageiras, ainda assim, senti vontade de nomear algo diferente, talvez inventar um conceito, talvez apenas tentar me entender.


Para isso, preciso contar um pouco da minha história.


Estou em relacionamentos desde os 16 anos. Hoje tenho 28, quase chegando aos 29. Passei boa parte da minha vida adulta acompanhado, sempre saindo de um relacionamento e entrando em outro, nunca foram relações curtas. nada de “coisas de meses” eu sempre fui o cara que namora por anos.


Meu primeiro relacionamento foi bem intenso, eu namorei, noivei e casei, casamento de verdade. com cartório, igreja, gente jogando arroz, tudo muito bonito, quase como um filme da Disney. Dois anos depois veio o fim, uma traição da parte dela, algo doloroso, devastador, mas sobrevivi. Meses depois descobri que ela estava namorando outro e vivendo algo que comigo nunca aconteceu, feliz a vida seguiu para ela.


O segundo relacionamento durou três meses. Até hoje não sei se posso chamar de namoro, foi simples, genérico, quase raso, depois que terminou, ela conseguiu um emprego melhor do que aquele que eu havia ajudado a conquistar, entrou na faculdade, viajou para fora do Brasil. 


O terceiro relacionamento durou três anos e sete meses. E olha um tempo considerável, quando acabou, ela conseguiu não apenas um, mas dois empregos. Cresceu pessoalmente, profissionalmente, espiritualmente e emocionalmente. Não uma evolução perfeita, mas honesta, do tipo que respeita as próprias dores.


O último relacionamento foi curto, mas forte demais sabe. Nos conhecemos no corredor da faculdade. viramos amigos e quando percebi, estava completamente apaixonado, eu pulei de cabeça, me entreguei. Fiz mais do que podia e mais do que devia, mas nenhuma entrega sustenta um amor que não é recíproco. O fim veio claro e eu fui trocado.


Não escrevo isso para me vitimizar. Tenho consciência dos meus erros e sei que em algumas histórias fui vilão, que machuquei e disse coisas que não deveria ter dito, este texto não é um julgamento da minha vida, mas uma constatação. eu sempre estive em um relacionamento e agora, pela primeira vez, me vejo sozinho, e claro sendo sincero, estou odiando.


Todos dizem que é necessário, que vou aprender a gostar, a me conhecer melhor., a minha psicóloga diz isso, conhecidos dizem isso, pessoas bem-intencionadas dizem isso. No entanto a verdade é que estou odiando cada minuto, cada dia pesa e cada silêncio incomoda.


E talvez seja por isso que comecei a me enxergar como uma pessoa transitória.


Alguém que passa e que ensina algo, que ajuda o outro a se entender, a crescer, a se preparar para o mundo, e quando vai embora, ou é retirado da vida de alguém, a pessoa floresce, evolui, segue em frente.


Eu poderia sentir raiva disso, mágoa, inveja. Mas, estranhamente, sinto orgulho, saber que, mesmo sendo o vilão de algumas histórias, ou o erro necessário, eu ajudei alguém a dar passos adiante diz algo sobre mim.


Ser uma pessoa transitória não é só perda, não é apenas fracasso.


Mas confesso que, pelo menos uma vez, eu queria que alguém ficasse, queria aprender a enxergar melhor os sinais, ser mais profundo, oferecer algo que não seja apenas passagem. Algo que seja permanência.


Como escreveu Carl Jung, “a solidão não vem de estar só, mas de não ser compreendido”. Talvez o que mais doa não seja a ausência de alguém ao meu lado, mas a sensação de nunca ter sido plenamente entendido enquanto eu ainda estava ali.


No fim das contas, talvez isso não tenha sido um texto reflexivo.

Talvez tenha sido só um desabafo mesmo.

E está tudo bem.

4 de jan. de 2026

Ano novo, mas a vida é a mesma



2026 acabou de chegar. Mais um ano começa, trazendo com ele a sensação de que algo precisa mudar. As pessoas costumam acreditar que a virada do calendário carrega novas promessas: novos desafios, novas vivências, novas experiências. E eu confesso que também gosto de acreditar nisso, nem que seja por um instante.


Mas a verdade é que a vida não recomeça junto com o ano. Ela continua. Acorda no dia seguinte como sempre acordou. Não são apenas os boletos que seguem existindo depois da virada; os conflitos internos, as dúvidas e as batalhas silenciosas também permanecem. Ainda há muito sendo vivido agora, mesmo quando a gente finge que tudo começa do zero.


O ano virou, mas a luta contra o meu eu interior continua. Meu id ainda precisa ser contido em alguns momentos, enquanto meu superego não pode agir como se tudo fosse impulsividade ou cobrança excessiva. Existe um espaço frágil entre querer demais e se exigir além do limite; e é exatamente ali que eu costumo me perder.


Tenho aprendido que preciso enxergar meus erros e falhas, não para me punir, mas para não cair outra vez nos mesmos abismos. Ao mesmo tempo, preciso aprender a me cobrar menos. Como minha psicóloga costuma me lembrar e sou muito grato por estar em terapia a compaixão também precisa ser direcionada para dentro. Reconhecer os avanços, por menores que pareçam, é uma forma de continuar em pé.


Então, sim, o ano começou. Mas a vida é a mesma vida: imperfeita, contínua e, às vezes, cansativa. Ainda assim, ela precisa ser vivida. Não existe atalho para isso. Como escreveu Clarice Lispector, “viver ultrapassa todo entendimento”. Talvez seja exatamente por isso que seguimos tentando, mesmo sem compreender tudo.


Pode parecer uma reflexão melancólica. Talvez seja mesmo. Mas é sincera. E, às vezes, tudo o que a gente precisa no início de um novo ano é isso: dizer em voz baixa aquilo que estava pesado demais para continuar guardando.

31 de dez. de 2025

Gachiakuta do lixo ao luxo



Em um mercado lotado de animes que parecem sair da mesma forma, Gachiakuta chama atenção logo de cara. Não porque reinventa tudo do zero, mas porque pega ideias que já vimos antes e dá a elas um peso diferente. Aqui, o mundo não é só cruel por conveniência do roteiro — ele é injusto, desigual e desconfortável, como muitas realidades que a gente prefere ignorar.


A história começa de um jeito até simples: um garoto marginalizado, vivendo à margem da sociedade, acaba sendo jogado fora junto com tudo o que aquele mundo considera inútil. Nada muito distante do que já vimos em outros shounens. Só que Gachiakuta não fica nisso. O “lixo” deixa de ser apenas um cenário e vira conceito. Tudo ali carrega significado: objetos descartados, pessoas esquecidas e até sentimentos que foram deixados de lado.


O mais interessante é como a obra consegue fazer crítica social sem parecer que está dando aula. A desigualdade está ali o tempo todo, mas aparece de forma orgânica, misturada com ação, conflitos e decisões difíceis. O mundo de Gachiakuta trata pessoas como coisas descartáveis — e isso dói justamente porque não é tão distante da nossa realidade.


Ao mesmo tempo, a obra mantém uma essência que lembra muito os animes dos anos 90. O protagonista não é um “escolhido” nem alguém guiado por um grande destino. Ele é movido por raiva, frustração e vontade de sobreviver. Há uma sensação constante de perigo, de que as escolhas têm consequências reais. Isso traz à memória títulos como Yu Yu Hakusho, Akira ou até certos momentos mais crus de Trigun, onde o mundo é quebrado e ninguém sai ileso.


Visualmente, Gachiakuta também foge do padrão atual. O traço é sujo, agressivo, cheio de personalidade. Não tenta ser bonito o tempo todo — e isso combina perfeitamente com a proposta da obra. Cada cenário parece pesado, cada detalhe transmite desconforto, reforçando a ideia de um mundo construído a partir do que foi rejeitado.


O grande acerto de Gachiakuta está nesse equilíbrio. Dá pra assistir só pela ação e pelos poderes criativos? Dá. Mas quem olha com mais atenção percebe camadas de crítica social, discussões sobre consumo, exclusão e sobre quem decide o que tem valor ou não. Tudo isso sem perder a alma dos animes que marcaram época, quando as histórias eram mais cruas e o crescimento dos personagens vinha acompanhado de dor.


No fim, Gachiakuta prova que ainda dá pra fazer algo diferente dentro de um gênero saturado. Em vez de tentar ser seguro, ele aposta no desconforto. E talvez seja justamente por isso que funcione tão bem: porque, às vezes, é no que foi jogado fora que estão as histórias mais interessantes.

30 de out. de 2025

Existe um momento certo pra partir?


Eu me peguei pensando nisso essa manhã, até quando é aceitável passar por cento as coisas só porque você quer um pouco de felicidade?


Eu sei eu não venho muito aqui já faz alguns meses, e quando decido aparecer é pra tentar conversar com vocês sobre algo que vem mexendo um pouco com a minha cabeça. 


Não entrarei em todos os detalhes possíveis, mas digamos que eu venho me empenhando muito em algo que eu sei que talvez não me dê retorno, e que por diversas vezes eu venho me sentindo muito triste com a situação que eu me encontro, eu não consigo me ver saindo disso.


Eu diria muito que é uma zona de conforto o que eu venho passando, porém, se eu fico triste vamos dizer uns 80% do tempo, conforto é a última coisa que estou tendo ne? Podemos pensar então em algo mais como "comodismo" eu sei que não me faz bem, porém, não consigo da o ponta pé inicial pra sair disso e eu sei que o primeiro passo é o mais difícil, e como é difícil...


Mas como eu acho que já disse em outras situações que vim desabafar aqui, eu busco muito a ideia da felicidade, então eu sei que nada nessa vida é tão fácil de ser conquistado, se eu precisar passar por certas coisas eu passarei kk


Enfim, como esse blog é pessoal eu tenho esse direito desabafar certas vezes e ninguém pode me julgar kk.


Personagens de anime vivem sofrendo e fazendo drama e ninguém deixa e vê suas histórias por causa disso, tenho direitos também.