10 de mar. de 2026

Eu quero um romance de noite chuvosa



Eu tenho 29 anos de idade e, desde sempre, estive em algum relacionamento. Sempre namorando, entrando em um relacionamento ou saindo de outro. Nunca tive, de verdade, uma fase solteiro. Alguns relacionamentos foram curtos, outros muito longos, mas nunca tive um tempo só meu, solteiro, para respirar e me conhecer sem estar ligado a outra pessoa.


E eu estou vivendo isso agora.


Faz alguns meses que estou sozinho e vou confessar para vocês: estou odiando cada segundo disso.


Existem pessoas  e eu gosto de pensar assim que nasceram para estar em relacionamento. Pessoas que precisam estar conectadas com alguém. Não porque a felicidade delas depende completamente de outra pessoa, mas porque o bem-estar de dividir a vida com alguém faz parte de quem elas são.


Eu sou esse tipo de pessoa.


Eu sou o tipo de ser humano que gosta de conviver com outro alguém. Eu não gosto muito de multidão, não gosto muito de grupos grandes de amigos, não gosto de estar no meio de muita gente. Eu gosto de estar com uma pessoa. Gosto da ideia de dividir a vida com alguém e aproveitar o máximo que a vida pode proporcionar junto com essa pessoa.


E agora eu estou solteiro… e isso é horrível.


Minha psicóloga tenta, toda semana, colocar na minha cabeça que eu deveria experimentar mais a vida sozinho. Passear, viajar, viver experiências únicas, me conhecer melhor. E eu concordo com ela. De verdade, concordo mesmo.


Mas nada tira da minha cabeça que estar em um relacionamento é uma das melhores coisas do mundo.


Quanto mais eu vejo TikTok, assisto anime ou revejo séries que já assisti mil vezes, mais eu fico olhando para aquelas histórias e pensando: quando vai chegar a minha vez de ser feliz assim?


Talvez seja exagero, talvez seja só romantização demais da vida. Mas é o que passa na minha cabeça.


Eu comecei a namorar muito cedo, com 16 anos. Esse relacionamento foi tão sério que acabamos noivando e depois casando. Ficamos juntos por cerca de dez anos.


Não vou dizer que foi maravilhoso, mas também não foi algo ruim. Era mais um processo de crescimento. Dois adolescentes tentando aprender a ser adultos juntos, cheios de imaturidade e erros.


Mas um dos lados acabou errando mais.


Eu confiei tanto nela que, em alguns momentos, acabei não estando tão presente quanto deveria. E ela encontrou outra pessoa que estava ali, presente.


Ao mesmo tempo em que eu sinto vontade de culpá-la ou sentir raiva, uma parte de mim também consegue entender o que aconteceu.


Depois da separação, eu conheci outra pessoa. Ela era muito mais madura, tinha uma experiência de vida enorme comparada à minha, e eu me apaixonei perdidamente.


Três meses depois, ela me deixou.


Fiquei arrasado, tentando entender o que eu tinha feito de errado, o que eu deixei de fazer, onde eu falhei.


Algum tempo depois, conheci outra pessoa maravilhosa em praticamente todos os aspectos que você possa imaginar. Eu adorava passar o tempo com ela. Gostava da companhia dela, das conversas, de dividir momentos simples.


Mas havia problemas sérios envolvendo outras pessoas na vida dela, coisas que acabavam interferindo diretamente no nosso relacionamento.


Chegou um momento em que eu não consegui mais lidar com isso. Eu queria ser o salvador dela, sem entender que eu não deveria ser o salvador de ninguém. Eu deveria ser apenas um companheiro.


Quando eu finalmente entendi isso, algo meio que se quebrou dentro de mim. O carinho, o amor e o afeto ainda existiam, mas eu não conseguia mais me enxergar no futuro com ela. Eu me sentia preso.


E então eu terminei.


Depois disso, conheci outra pessoa. Talvez essa tenha sido a que mais mexeu comigo.


Ela abalou o meu mundo de uma forma que, até hoje, eu não sei exatamente como reagir. Faz alguns meses que nos separamos na verdade, ela terminou comigo e não passa um dia sequer sem que eu tente entender onde eu errei, como eu errei ou o que eu poderia ter feito diferente.


No início, eu decidi que teria um tempo sozinho. Pensei: vou ficar pelo menos um mês sem conhecer ninguém, focar em mim, colocar meus objetivos em prática.


Mas esse mês passou.


E agora eu estou meio que em um limbo.


Não estou desesperadamente procurando alguém, mas ao mesmo tempo também estou tentando encontrar alguém. Eu crio expectativas facilmente. Qualquer pessoa com quem eu tenha um mínimo de conexão já faz minha cabeça começar a imaginar mil possibilidades.


Qualquer amiga com quem eu converso um pouco mais, qualquer pessoa com quem sinto um pouco de afinidade, já me faz imaginar mil cenários diferentes na minha cabeça.


Eu sei que isso não é saudável. Talvez até beire a loucura.


Mas é o meu coração desesperado por atenção, desesperado por carinho.


No fundo, o que eu quero é algo muito simples.


Eu quero viver um romance de uma noite chuvosa.


Quero estar em casa, com a chuva caindo lá fora, ligar a televisão, colocar uma série ou um filme que eu já vi mil vezes, comer alguma coisa gostosa e estar abraçado com alguém que eu amo.


Só isso.


É estranho como o coração da gente funciona. Eu tenho um trabalho pelo qual sou apaixonado. Estou fazendo faculdade de algo que também amo. Estou vivendo coisas que nunca imaginei que viveria. Saindo para lugares legais, conhecendo pessoas interessantes, criando amizades.


Mas, ainda assim, sinto que falta alguma coisa.


Sinto como se houvesse um espaço vazio dentro de mim.


Talvez esse seja só mais um desabafo de alguém que ainda está tentando entender o que quer da vida. Ou talvez eu até saiba o que quero, mas sinto que ainda falta algo para chegar lá.


Talvez seja isso: eu me sinto incompleto.


Tenho 29 anos. Vejo colegas, amigos, primos e pessoas ao meu redor já indo para o segundo filho, construindo famílias, seguindo caminhos que parecem muito definidos.


E eu ainda estou aqui, procurando sentir algo que parece coisa de adolescente. Procurando sentir aquelas famosas borboletas no estômago, aquele encantamento.


Talvez a culpa seja dos meus pais.


Eu cresci vendo os dois completamente apaixonados um pelo outro.


Talvez a culpa também seja dos livros de romance. Nicholas Sparks definitivamente bagunçou minha cabeça e me fez acreditar que um amor real pode existir de muitas maneiras diferentes.


E eu ainda acredito nisso.


Enfim… não tenho muito mais o que dizer.


Só posso torcer para que um dia eu encontre alguém. Quem sabe daqui a alguns meses eu volte aqui para escrever dizendo o quanto estou feliz.


No momento, eu me sinto perdido.


Mas talvez, um dia, eu encontre alguém.


Até lá, a gente continua conversando sobre anime, filosofia, pensamentos aleatórios e tudo mais que passa pela minha cabeça.


Porque eu tenho apenas uma certeza:


quando eu começar a namorar de novo, eu vou ser insuportável.


Porque é isso que eu sou quando estou apaixonado.


Eu fico insuportável.


É isso.


Beijos.

1 de fev. de 2026

Fã de Jujutsu odeia a Maki

 



E vamos falar sobre a nova temporada de Jujutsu Kaisen e como inevitavelmente tivemos um ponto que dividiu muita gente: o arco da Maki. Não só pelo que acontece, mas principalmente pelo que ela decide fazer. A destruição do clã Zenin, nas mãos de uma personagem que sempre foi tratada como resto dentro da própria família, incomodou parte do público. E esse incômodo diz muito mais sobre a gente do que sobre a obra.


Desde o início, Maki nunca foi construída para ser confortável. Ela nasce em um sistema que a rejeita, a diminui e a usa como exemplo do que não se deve ser. Mulher, sem energia amaldiçoada, vista como fracasso. Tudo ao redor dela diz que seu lugar é abaixo. A obra nunca escondeu isso. Pelo contrário, fez questão de esfregar essa estrutura na cara do espectador.


Quando a nova temporada chega e mostra o resultado de anos de violência simbólica e literal, muita gente reage com estranhamento. De repente, Maki deixa de ser a personagem “inspiradora que luta apesar das limitações” e passa a ser alguém que age com raiva, brutalidade e decisão. Ela não pede permissão. Não busca redenção. Não tenta ser compreendida.


E é aí que mora o problema para alguns fãs que não conseguem entender o lado humano da personagem.


Existe uma expectativa silenciosa de que personagens femininas fortes ainda precisem ser moralmente aceitáveis o tempo todo. Que a dor delas precise ser filtrada, suavizada, transformada em algo palatável. Quando Maki rompe com isso e age como muitos personagens masculinos sempre agiram em shounens, o discurso muda. De repente, ela é “exagerada”, “mal escrita”, “incoerente”.


Mas será mesmo? Que ela é esse ser tão "desprezível" 


O arco da Maki não é sobre vingança simples. É sobre ruptura. Sobre o colapso de um sistema inteiro que sempre se sustentou na exclusão. O clã Zenin não é destruído apenas fisicamente, ele é desmontado simbolicamente. A obra deixa claro que aquele clã já estava podre muito antes da Maki erguer a primeira arma.


O que incomoda não é a violência em si. A história sempre foi violenta. O incômodo surge quando essa violência vem de uma mulher que não está ali para ensinar uma lição bonita ou servir de apoio emocional para outro personagem. Ela é o centro da ação. Ela é a consequência.


E isso é poderoso.


O empoderamento feminino, quando tratado de forma honesta, nem sempre é inspirador no sentido clássico. Às vezes ele é feio, doloroso, radical. Às vezes ele não vem acompanhado de discursos, mas de escolhas difíceis e irreversíveis. Maki não representa um ideal, ela representa uma reação. E reações raramente são limpas.


A nova temporada acerta ao não pedir desculpas por isso. Ao não tentar justificar cada passo da personagem com longos monólogos morais. A obra confia no espectador para entender que aquela não é uma história sobre heroísmo puro, mas sobre sobrevivência em um mundo quebrado.


Personagens como Maki são importantes justamente porque quebram expectativas. Elas mostram que mulheres também podem ocupar espaços narrativos tradicionalmente reservados a homens: o da fúria, da violência, da decisão sem consenso. E isso não precisa ser confortável para ser válido.


Talvez o desconforto de alguns fãs seja um sinal de que a obra tocou em algo real. Porque quando uma personagem feminina deixa de ser símbolo e passa a ser sujeito, com tudo o que isso implica, nem todo mundo está pronto para acompanhar.


E tudo bem se não estiver.

Mas a história segue.

25 de jan. de 2026

Gachiakuta novamente estourando a bolha


É sensacional como alguns animes conseguem, do começo ao fim, manter a gente preso não só pela ação ou pelo impacto visual, mas pelo incômodo que deixam. Gachiakuta é exatamente assim. A obra vai avançando, responde algumas perguntas importantes, mas nunca parece satisfeita em encerrar nada de vez. Quando uma resposta chega, ela quase sempre vem acompanhada de novas dúvidas, novos mistérios e aquela sensação de que ainda estamos vendo só a superfície de algo muito maior.

E isso não é um defeito. Muito pelo contrário.

Já falei sobre Gachiakuta aqui no blog antes, destacando vários pontos positivos e como a obra conseguiu mexer com a forma como muita gente passou a enxergar animes e mangás. O impacto não vem apenas do traço diferente ou da estética suja e agressiva, mas da maneira como o mundo é construído. Tudo ali parece quebrado, descartado, jogado fora, e ainda assim vivo. O mangá já carregava esse peso desde o início, e a adaptação em anime só reforça o quanto essa história sabe usar o desconforto como linguagem.

O universo de Gachiakuta não se explica de imediato, e talvez nunca se explique por completo. Ele se revela aos poucos, em fragmentos, quase como se o espectador estivesse juntando restos, pedaços de informação espalhados pelo caminho. Existe um prazer estranho nisso, em não entender tudo, em ter que parar e pensar, em levantar teorias que talvez nunca sejam confirmadas. Em tempos em que muitas obras parecem ter medo do silêncio e da dúvida, Gachiakuta aposta justamente nisso.

Os mistérios não estão só no funcionamento do mundo ou nos poderes que surgem, mas também nos personagens. Eles carregam marcas, traumas e contradições que não são explicadas em longos discursos. Muitas coisas ficam subentendidas, ditas no olhar, no jeito de agir, no silêncio. É uma narrativa que confia em quem está do outro lado da tela, que entende que nem tudo precisa ser explicado para ser sentido.

E talvez seja por isso que Gachiakuta funcione tão bem. Porque ele não tenta ser confortável. Ele não quer agradar todo mundo, nem ser fácil de consumir. É uma obra que incomoda, provoca e, às vezes, até cansa. Mas é um cansaço bom, daquele que vem quando a história fica na cabeça depois que o episódio termina.

Existe algo muito honesto em uma obra que aceita não ter todas as respostas prontas. Gachiakuta parece entender que o mistério também faz parte da experiência humana, que nem tudo na vida se resolve de forma clara ou justa. Às vezes, a gente só segue em frente carregando perguntas, tentando dar sentido ao que sobrou.

No fim, assistir a Gachiakuta é isso: caminhar por um mundo feito de restos, tentando montar algum significado a partir do que foi descartado. E talvez seja exatamente por isso que a obra diga tanto sobre nós. Porque, de certa forma, todos nós também estamos tentando entender quem somos a partir dos pedaços que ficaram pelo caminho.

23 de jan. de 2026

Percy Jackson é bom demais


Quando anunciaram a nova série de Percy Jackson pela Disney, confesso que minha primeira reação não foi empolgação, foi desconfiança. Os filmes ainda pesam na memória de quem leu os livros. Não porque eram totalmente ilegíveis, mas porque pareciam não entender o que Percy Jackson realmente era. Eles envelheceram os personagens, simplificaram conflitos e transformaram uma jornada de amadurecimento em algo genérico, apressado e vazio de sentido.

A série chega como quem pede desculpa sem dizer nada. E talvez o maior acerto esteja justamente aí.

Desde a primeira temporada, que adapta o livro: O Ladrão de Raios, fica claro que agora existe tempo. Tempo para os personagens respirarem, para os laços se formarem e para o mundo mitológico não parecer apenas um pano de fundo cheio de efeitos. Diferente do filme, que corre para chegar ao final, a série entende que a graça da história está no caminho, nas dúvidas, nos erros e no fato de Percy não saber exatamente quem ele é ou onde se encaixa.

Um ponto que chama atenção é como a série se aproxima muito mais do espírito do livro, mesmo quando muda coisas. A essência está ali: o humor meio torto, a sensação constante de perigo, a ideia de que crescer também é lidar com deuses falhos e adultos que erram. Ao mesmo tempo, a narrativa televisiva permite algo que o livro, por ser em primeira pessoa, não faz tanto: sair da cabeça do Percy.

Na série, não acompanhamos apenas o que ele sente ou pensa. Vemos Annabeth como alguém que carrega expectativas, frustrações e uma inteligência que não é só “a garota inteligente do grupo”. Grover deixa de ser apenas o alívio cômico e ganha profundidade emocional, conflitos próprios e um senso de responsabilidade que pesa. Até personagens secundários passam a ter mais espaço, mais intenção, mais história. Eles não estão ali apenas para cumprir função de roteiro.

A segunda temporada, adaptando O Mar de Monstros, aprofunda ainda mais isso. Os conflitos deixam de ser apenas externos. Não é só derrotar monstros ou impedir o fim do mundo, mas lidar com inseguranças, com a sensação de não ser suficiente, com a comparação constante. A série entende que Percy Jackson nunca foi apenas sobre mitologia grega, mas sobre crescer se sentindo deslocado, confuso e pressionado a ser algo que você ainda não sabe se consegue ser.

Comparando com os filmes, a diferença é quase injusta. Onde os filmes cortavam personagens, simplificavam relações e mudavam motivações inteiras, a série faz o caminho oposto. Ela confia no material original e no público. Não tenta apressar tudo, nem transformar Percy em um herói pronto. Ele continua errando, duvidando, tropeçando, como sempre foi nos livros.

Claro, nem tudo é idêntico às páginas. Algumas escolhas narrativas são diferentes, cenas são reorganizadas, certos momentos ganham outro peso. Mas, ao contrário dos filmes, essas mudanças parecem pensadas para expandir, não para apagar. Elas funcionam como ajustes naturais de uma história que agora entende o meio em que está sendo contada.

Talvez o maior mérito da série seja esse: ela não tenta consertar Percy Jackson, porque ele nunca esteve quebrado. Ela apenas oferece o espaço certo para que a história seja contada com cuidado.

No fim, assistir à série dá a sensação de que Percy finalmente encontrou um lar fora dos livros. Não perfeito, não intocável, mas honesto. E às vezes é só isso que uma boa adaptação precisa ser.

18 de jan. de 2026

Stranger Things não soube termina



O final de Stranger Things não foi exatamente ruim, mas também não foi o que muita gente esperava, e talvez seja aí que tudo começou a dar errado.


Durante anos, a série foi tratada como mais do que uma história. Ela virou memória afetiva, trilha sonora da adolescência tardia de muita gente, refúgio em tempos estranhos. Cada temporada vinha carregada de nostalgia, mistério e a promessa silenciosa de que tudo aquilo levaria a um encerramento grandioso, inesquecível, quase histórico. 

A internet ajudou a inflar isso. Teorias, expectativas, comparações, apostas emocionais. O final precisava ser perfeito, e quando algo precisa ser perfeito, quase sempre já nasce condenado.


Quando a série terminou, o que se viu foi uma divisão clara. De um lado, pessoas satisfeitas, emocionadas, gratas pela jornada. Do outro, gente frustrada, decepcionada, sentindo que algo faltou. Não necessariamente um evento específico, mas um impacto. Um risco maior, um fechamento que doesse mais.


Talvez o problema não tenha sido o final em si, mas o que projetamos nele. Stranger Things sempre flertou com o conforto, mesmo quando lidava com o horror, havia ali uma zona segura. Personagens queridos, trilhas conhecidas, referências que abraçavam o espectador. E no fim, a série permaneceu fiel a isso, não traiu sua essência, só que, para muitos, isso já não bastava.


Existe uma expectativa estranha de que finais precisam ser disruptivos, chocantes, quase traumáticos, para serem bons, se não desmontam tudo, se não ferem profundamente, parecem insuficientes. Mas também existe o outro lado. Às vezes, encerrar é apenas isso: fechar um ciclo sem destruir o que foi construído.


A internet, como sempre, amplificou tudo, gostar virou sinal de ingenuidade. Não gostar virou sinônimo de inteligência crítica. E no meio disso, se perdeu algo simples: nem todo final precisa agradar a todos. Algumas histórias terminam do jeito que conseguem, não do jeito que prometemos a nós mesmos que elas terminariam.


Talvez Stranger Things tenha terminado exatamente como viveu. Entre o medo e o afeto. Entre o caos e a familiaridade. E talvez a frustração venha do fato de que crescemos enquanto a série crescia, e esperávamos que ela acompanhasse nossas dores adultas com a mesma intensidade.


No fim, não é só sobre uma série. É sobre expectativa. Sobre apego. Sobre o momento em que percebemos que certas histórias significaram mais para nós do que para elas mesmas.


E isso dói um pouco. Mas também diz muito sobre quem somos agora.