17 de out. de 2026

A internet morta no instagram

Eu sou cronicamente online, o que deveria ser algo um tanto quanto 'triste'. Porém, vamos ser sinceros: em pleno 2026, todo mundo é cronicamente online. Seja por motivos bons ou ruins, estamos todos conectados, acompanhando tudo o que acontece no mundo — às vezes até quando a gente nem quer que isso aconteça, mas acaba acontecendo. Até o ato de ler um livro mudou: hoje eu prefiro ler no tablet ou no celular. O que hoje em dia é super aceito, na verdade é um hábito que sempre tive; livros físicos sempre foram como colecionáveis para mim, mas a leitura digital sempre teve espaço na minha vida, assim como o tema de hoje.

13 de out. de 2026

Estou decepcionado com Black Torch

Eu elogiei, defendi e cheguei ao ponto de dizer que Black Torch seria a evolução para uma nova era de animes. Mas qual foi o resultado? Dropei o episódio 12 com apenas cinco minutos de tela, simplesmente porque a obra não conseguiu se sustentar.

10 de out. de 2026

Eu li A Joia da Alma e olha...


Depois de passar quase dois meses lendo três livros seguidos com romances genéricos voltados ao público adolescente, é com um enorme sentimento de alívio e empolgação que venho falar sobre A Joia da Alma, escrito por Karen Soarele. Fico feliz em diversos aspectos. Primeiro, por ser uma obra de fantasia sensacional, que consegue capturar e entregar com maestria absolutamente todos os elementos e tropos que qualquer fã do gênero ama. Segundo, por ser uma história intrinsecamente ligada ao RPG de mesa, o que representa uma das minhas maiores paixões na vida.

A Karen Soarele realizou um trabalho impecável ao traduzir para a escrita a verdadeira experiência de estar ao redor de uma mesa de jogo. Ela soube colocar em palavras aqueles momentos únicos que só quem joga conhece: as interações imprevisíveis entre os personagens, os alívios cômicos nas horas mais inusitadas, a tensão das batalhas decisivas e o peso emocional de cada decisão. A narrativa flui como uma excelente sessão de RPG, mantendo o leitor preso do início ao fim, curioso para saber o rumo de cada acontecimento como se estivesse aguardando o resultado de uma rolagem de dados.

O ponto mais marcante de toda essa experiência é o orgulho de saber que se trata de uma obra 100% brasileira. Karen Soarele não é apenas uma escritora extremamente talentosa, mas também uma jogadora apaixonada pelo hobby, o que transparece em cada linha da história. Além disso, o livro se passa no universo de Tormenta, o maior e mais tradicional sistema de RPG do Brasil. Ver a riqueza de Arton, com suas divindades, raças e cenários vibrantes, representada de forma tão marcante na literatura nacional é algo que todo entusiasta de fantasia no Brasil deveria celebrar.

Se você busca uma leitura envolvente, repleta de aventuras marcantes, personagens cativantes e aquele gostinho nostálgico de uma boa campanha entre amigos, A Joia da Alma é uma escolha obrigatória. É uma prova viva de que a fantasia e a literatura geek brasileira estão mais fortes, maduras e inspiradoras do que nunca.

E depois de ler o livro, você terá a mesma sensação que eu: o Dok é o melhor personagem, claro, depois da Oihana

6 de out. de 2026

Rota do Olimpo

 

Certa manhã ensolarada, Joseph acordou primeiro que seus pais ou animais próximos de sua casa. Sabia da importância de estar de pé, não que aquele fosse um dia especialmente feliz para ele; mesmo completando seu décimo sexto aniversário, pouco se importava com datas comemorativas, o que o esperava fala muito mais alto que as felicitações de seus parentes e amigos, mas para sua mãe, no entanto, aquele era o momento mais esperado do ano, já que era o dia em que ele seria oficialmente proclamado homem e receberia o bracelete de cobre das mãos da sacerdotisa do palácio.

Dentre tantos lugares espalhados pelos Sete Mundos, Joseph teve a sorte de nascer no pequeno país de Andurar, um dos raros reinos que ainda cultuavam os deuses do panteão antigo. Era uma terra moldada para mercadores, onde todo filho — fosse ele bastardo ou legítimo — sonhava em dominar a arte do comércio, e isso ele sabia bem, desde os dez anos, o jovem já ajudava o pai a carregar sementes e plantações cultivadas em seu pequeno jardim, mas ainda não tinha permissão para negociar sozinho com estrangeiros ou viajantes de outros mundos. Pelo menos, não até aquele dia.

Joseph separou sua melhor túnica, ensaiou um discurso elegante e treinou respostas para eventuais perguntas da sacerdotisa. Não queria gaguejar ou hesitar diante daquela que era a figura mais próxima dos deuses, o seu pai insistia que não haveria questionamento algum, afinal Joseph não era um refugiado ou nem um estrangeiro recém-chegado. Ele apenas entraria na fila, receberia o bracelete, selaria seu pacto de sangue com as divindades e voltaria para casa — ou iria para onde quisesse, já que agora seria dono do próprio destino. Claro que sua mãe já havia deixado bem claro: ele voltaria para o almoço, e ponto final.

Determinado a viver aquele momento único sozinho, Joseph dispensou a companhia do pai, queria sentir na pele o peso de caminhar com as próprias pernas e compreender o quão adulto finalmente havia se tornado.

À medida que se aproximava do caminho sagrado, a paisagem se transformava. Gigantescas ruínas de pedra monumental erguiam-se contra o céu azul, cobertas por eras de musgo e vegetação rasteira. Enormes arcos quebrados e colunas entalhadas ladeavam a trilha, testemunhas silenciosas de uma era em que os deuses pisavam na terra ao lado dos homens. Abaixo daqueles portais ancestrais, uma fila sinuosa de centenas de pessoas avançava devagar. Eram viajantes carregando pesadas mochilas, oferendas, tecidos ornamentados e criações do campo, todos marchando em direção ao majestoso templo acastelado que despontava no topo do vale ao fundo.

No entanto, o que o pai de Joseph nunca mencionara era que a Rota de Olimpo não era um caminho tão simples ou honesto para os novatos. E como seu pai poderia saber? Ele vendia seus produtos para intermediários que levavam as mercadorias até o topo; há anos não pisava pessoalmente naquela estrada. Naquela longa fila, os olhares eram astutos, o murmúrio dos mercadores experientes escondia pequenas trapaças, e artimanhas com todos aqueles que seguiam na volta do palácio, já que se os deuses não aprovassem seu coração, você jamais poderia trabalhar em Andurar, logo, o comercio escondido era tão comum quanto o tradicional, e braceletes de cobre era um item extremamente valioso, um passe para adentrar os portões outrora tão protegidos. 

Joseph não era bobo, seguia cautelosamente ouvido todas as conversas e bolava em sua mente um plano para que não fosse vitima, "seria isso o motivo de seu pai não fazer a rota como os demais comerciantes?" pensava ele enquanto chegava próximo ao acampamento de recrutamento ao pé do palácio. 

Esperava apenas receber um pedaço de cobre trabalhado no punho para ter o direito de vender grãos na praça. Contudo, ao finalmente atravessar o último arco de pedra e alcançar o átrio onde a sacerdotisa o aguardava, o que lhe foi oferecido superou qualquer expectativa.

A sacerdotisa, vestida em panos austeros e com um olhar sereno que parecia enxergar através do tempo, não lhe fez perguntas complexas sobre os deuses, nem exigiu discursos decorados. Ela apenas segurou o pulso de Joseph e observou a calo nos seus dedos e a poeira da caminhada em suas botas.

— O cobre não faz o mercador, rapaz — disse ela com uma voz suave, ajustando o bracelete morno na pele do jovem. — Este metal é apenas uma licença para os homens verem sua voz. Mas o verdadeiro pacto com Olimpo é saber o valor daquilo que se carrega e respeitar quem caminha ao seu lado.

Em vez de uma grande revelação mística ou verdades que ninguém sabia, a oferta que Joseph recebeu foi muito mais real: a permissão para escutar e negociar não como um servo do comércio, mas como um guardião da própria estrada. A sacerdotisa lhe entregou um pequeno selo de bronze da ordem dos guias, oferecendo a ele a oportunidade de aprender os segredos dos caminhos antes de se trancar em uma banca de mercado, pediu que um dos guarda o levasse de volta até o pé da colina para que nada de ruim o acontecesse.

E enquanto descia a colina sob a luz da tarde, observando o vale dourado e as velhas colunas que agora pareciam menos assustadoras e mais acolhedoras, Joseph tocou o bracelete reluzente em seu punho. Ele não se sentia magicamente diferente, tampouco um herói invencível. Mas, pela primeira vez, ao olhar para a poeira em suas roupas e lembrar da promessa que fizera à sua mãe, sentiu o peso calmo da responsabilidade. Ele sorriu baixinho, apertou o passo e seguiu de volta para casa, agora não mais como um menino cumprindo ordens, mas como um homem consciente do longo caminho que ainda tinha a percorrer.

3 de out. de 2026

A ilusão do tigrinho: Por que a banca SEMPRE vai vencer

Se todos estão nadando nesse mar, aproveitando a onda que é falar sobre bets, cassinos e coisas a fim, por que eu não faria algo do tipo, não é mesmo? E falar sobre algo assim é tão fácil que não precisa de muito tempo de pesquisa ou de ser algum tipo de escritor/blogueiro/jornalista; você apenas pensa sobre e todos os pontos vêm com uma facilidade enorme, seja você defendendo ou sendo contra essa proibição.

Claro que, como qualquer pessoa com no mínimo dois neurônios, eu sou mais um dos que são a favor do fim das bets. Na verdade, sou a favor do fim de qualquer coisa que envolva cassino, apostas ou coisas do tipo que fazem você achar que tem chance de conseguir algo que matematicamente já foi comprovado que você não pode conseguir — isso, claro, se os "jogos" não forem alterados para que você perca... O que, adivinha só, eles são! Todos, sem sombra de dúvida, são programados para que você perca, e perca muito, para talvez te darem alguma coisinha e você falar: "A casa tá pagando, bebê!".

Quando pensei em escrever sobre esse assunto, eu me peguei em um certo dilema bobo, porque não vou mentir: eu já tive meus momentos de ficar jogando no tigrinho achando que ia conseguir algo. Principalmente porque meus amigos tiravam 500, mil, 2 mil reais apostando apenas 10 reais. Como isso não enche os olhos de alguém? Aí ia eu lá, com 10 reais, fazer a mesma coisa e perdia tudo em apenas 2 minutos. Mas me sinto menos idiota porque nunca passou disso, nunca foi nada além disso. E aí eu comecei a ler, estudar um pouco e pesquisar sobre como funcionavam cassinos no geral — o que, sejamos sinceros, nem é algo difícil de entender e nem vou querer méritos para me achar inteligente. Eu li, vi e entendi que a banca sempre vai ganhar, independentemente da situação.

Outro ponto que me fez pensar bastante é porque eu adoro um sorteio, adoro uma rifa, adoro essas coisas em que tenho que contar com a sorte. Quase sempre o prêmio nem é algo interessante, mas essa adrenalina sempre me contagiou. E aí que eu me peguei pensando: "Humm, será que sou diferente de quem vai lá e gasta com o tigrinho?". E bem, novamente não precisei pensar tanto, a resposta está na cara: eu compro um número em uma rifa por 5 reais, e eu já entendi que não existe isso de quanto mais números você comprar, mais chances tem de ganhar, porque às vezes aquela pessoa que comprou um número só vai lá e leva. E o que é isso? Sorte...

Agora, quem vai lá e começa no tigrinho com 10 reais e, por loucura, ganha 50, pensa que se apostar mais, ganha mais; quanto mais aposta, mais perde. Porém, na cabeça, só uma coisa é pensada: "Eu posso recuperar tudo". Por qual motivo isso acontece? Olha, é nítido: quando ele apostou 10 reais pela primeira vez e ganhou, ele colocou na cabeça que isso é sensacional. Por isso, ele se vê na obrigação, consigo mesmo, de ir apostar mais, cada vez mais. Enquanto o dinheiro é apenas o que sobra no fim do mês ta beleza — e bem, vivendo no Brasil, sobrar algo no fim do mês já é algo pelo qual temos que agradecer muito aos céus. No entanto, quando o dinheiro é o das compras do mês... Ah, mas tá tudo bem, ele vai apostar e pegar o dobro... Aí, nesse mês, são 100 reais a menos nas compras; no outro mês, ele aposta o dinheiro do gás; depois aposta o dinheiro da luz; e quando vai ver, foi o dinheiro do aluguel. E olha, eu sei que pode parecer exagero da minha parte, mas isso é tão real, mais tão real, que basta pesquisar histórias assim que  você encontrar um monte.

Porque quem é atingido por esse vício sempre será a classe C e D. Não vai ser o Carlos, médico que recebe 80 mil por mês; vai ser o João, que é pedreiro e tem uma diária de 100 reais. É essa pessoa que vai sofrer. 

E olha com o argumento mais absurdo possível, você pode falar: "Mas aposta quem quer, ninguém obrigou...". E de fato isso é verdade, mas se subir um pouquinho o texto, você vai ver que comentei que também tive meu momento de apostas porque vi meus amigos tirando 500, mil e até 2 mil reais, certo? É assim que o João, pedreiro, também é pego. Ele abre o Instagram e vê um influenciador que está nadando em dinheiro, que vai a um restaurante e em um almoço gasta mais do que toda uma semana sofrida de trabalho do João. Como isso não mexe com alguém? O João, debaixo de um sol de rachar, clica no story seguinte e vê esse influenciador dizendo que, se o coitado do João quiser viver o que ele vive, basta clicar naquele link porque, olha só... O tigrinho está pagando muito, a plataforma nova não para!

Enfim, eu tenho muito mais para falar sobre isso, principalmente sobre os influenciadores que divulgam essas casas de apostas, mas vou deixar isso para os próximos posts.

Lembrem-se, pessoal: vício é uma doença e tem tratamento. A sua vida não acabou porque as casas de aposta foram proibidas no Brasil; talvez isso seja um sinal do universo para você abrir os olhos e ir viver.