31 de dez. de 2025

Gachiakuta do lixo ao luxo



Em um mercado lotado de animes que parecem sair da mesma forma, Gachiakuta chama atenção logo de cara. Não porque reinventa tudo do zero, mas porque pega ideias que já vimos antes e dá a elas um peso diferente. Aqui, o mundo não é só cruel por conveniência do roteiro — ele é injusto, desigual e desconfortável, como muitas realidades que a gente prefere ignorar.


A história começa de um jeito até simples: um garoto marginalizado, vivendo à margem da sociedade, acaba sendo jogado fora junto com tudo o que aquele mundo considera inútil. Nada muito distante do que já vimos em outros shounens. Só que Gachiakuta não fica nisso. O “lixo” deixa de ser apenas um cenário e vira conceito. Tudo ali carrega significado: objetos descartados, pessoas esquecidas e até sentimentos que foram deixados de lado.


O mais interessante é como a obra consegue fazer crítica social sem parecer que está dando aula. A desigualdade está ali o tempo todo, mas aparece de forma orgânica, misturada com ação, conflitos e decisões difíceis. O mundo de Gachiakuta trata pessoas como coisas descartáveis — e isso dói justamente porque não é tão distante da nossa realidade.


Ao mesmo tempo, a obra mantém uma essência que lembra muito os animes dos anos 90. O protagonista não é um “escolhido” nem alguém guiado por um grande destino. Ele é movido por raiva, frustração e vontade de sobreviver. Há uma sensação constante de perigo, de que as escolhas têm consequências reais. Isso traz à memória títulos como Yu Yu Hakusho, Akira ou até certos momentos mais crus de Trigun, onde o mundo é quebrado e ninguém sai ileso.


Visualmente, Gachiakuta também foge do padrão atual. O traço é sujo, agressivo, cheio de personalidade. Não tenta ser bonito o tempo todo — e isso combina perfeitamente com a proposta da obra. Cada cenário parece pesado, cada detalhe transmite desconforto, reforçando a ideia de um mundo construído a partir do que foi rejeitado.


O grande acerto de Gachiakuta está nesse equilíbrio. Dá pra assistir só pela ação e pelos poderes criativos? Dá. Mas quem olha com mais atenção percebe camadas de crítica social, discussões sobre consumo, exclusão e sobre quem decide o que tem valor ou não. Tudo isso sem perder a alma dos animes que marcaram época, quando as histórias eram mais cruas e o crescimento dos personagens vinha acompanhado de dor.


No fim, Gachiakuta prova que ainda dá pra fazer algo diferente dentro de um gênero saturado. Em vez de tentar ser seguro, ele aposta no desconforto. E talvez seja justamente por isso que funcione tão bem: porque, às vezes, é no que foi jogado fora que estão as histórias mais interessantes.

30 de out. de 2025

Existe um momento certo pra partir?


Eu me peguei pensando nisso essa manhã, até quando é aceitável passar por cento as coisas só porque você quer um pouco de felicidade?


Eu sei eu não venho muito aqui já faz alguns meses, e quando decido aparecer é pra tentar conversar com vocês sobre algo que vem mexendo um pouco com a minha cabeça. 


Não entrarei em todos os detalhes possíveis, mas digamos que eu venho me empenhando muito em algo que eu sei que talvez não me dê retorno, e que por diversas vezes eu venho me sentindo muito triste com a situação que eu me encontro, eu não consigo me ver saindo disso.


Eu diria muito que é uma zona de conforto o que eu venho passando, porém, se eu fico triste vamos dizer uns 80% do tempo, conforto é a última coisa que estou tendo ne? Podemos pensar então em algo mais como "comodismo" eu sei que não me faz bem, porém, não consigo da o ponta pé inicial pra sair disso e eu sei que o primeiro passo é o mais difícil, e como é difícil...


Mas como eu acho que já disse em outras situações que vim desabafar aqui, eu busco muito a ideia da felicidade, então eu sei que nada nessa vida é tão fácil de ser conquistado, se eu precisar passar por certas coisas eu passarei kk


Enfim, como esse blog é pessoal eu tenho esse direito desabafar certas vezes e ninguém pode me julgar kk.


Personagens de anime vivem sofrendo e fazendo drama e ninguém deixa e vê suas histórias por causa disso, tenho direitos também.


14 de set. de 2025

Voltamos?

Só escolhi essa imagem porque terminei de ver o ultimo episódio do anime kk'


Ah, um bom filho a casa retorna, ou torna, volta? Enfim, olá kkk. 


Se passaram pouco mais de 5 meses certo? 5 meses e alguns bons dias na qual eu simplesmente dei uma pausa na minha vida tranquila com hobbies e coisas na qual eu sempre curti e decidi dá uma agitada em tudo e vê o que eu poderia tirar de bom. 


Começando que eu me separei, sim ciclos de relacionamento as vezes acabam se encerrando e comigo não foi diferente, 3 anos e alguns meses que chegaram ao fim, mas não fiquem triste pois se tem algo que eu amo é estar com alguém e eu já estou namorando, o que parando pra pensar agora é algo que eu deveria falar na minha terapia... Termina um relacionamento e já começar outro? Gente... kk


Estou trabalhando em dois empregos o que me faz ser uma pessoa bem ocupada, e sem saúde mental também e sem dinheiro, pois quando mais você trabalha, mais você gastar, estou fazendo faculdade também o que é bem comum parando pra pensar, já que é a quinta faculdade que eu começo e dessa vez eu vou me forma é serio...


Não parei com os animes, diminui muito o ritmo dos que eu assistia comparado há antes, porém continuo assistindo anime pra valer.


No geral é um bom check up de atualização das coisas na qual eu voltei a fazer, ao longo ai das proximas semanas quem sabe eu volto falando de animes e dando meus pitacos em coisas que claramente eu não deveria falar. 

5 de abr. de 2025

Presença é um filme de terror que não dá medo


Sabe quando você é pego de surpresa ao ver um filme? Bem exatamente isso foi o que aconteceu hoje, no caso não comigo, mas sim com a minha namorada, era para ser só mais um passeio normal no shopping, mas acabou que paramos pra ver um filme.


O filme em si era o menos pior dos que eu achei que estavam em cartaz, e como parecia ser uma temática meio terror, achei que seria uma boa para assistir, e por muita bondade de Deus, minha namorada aceitou ver, já que eu tenho um dedo podre absurdo para escolher filmes, serio gente é sempre um pior do que o outro, no entanto hoje foi diferente se ela não saiu reclamando, é porque pelo menos foi interessante. 


Sem mais enrolação, vamos tentar destrinchar um pouco o que eu entendi sobre o filme, pois é aquele tipo de filme como um final meio enigmático. 


Presença, o mais recente trabalho do renomado diretor Steven Soderbergh que eu não sei quem é, mas é famoso, apresenta uma abordagem inovadora ao gênero de terror ao narrar a história sob a perspectiva de um espírito que habita uma casa. Este ponto de vista singular busca subverter as convenções tradicionais dos filmes de casas assombradas, oferecendo ao público uma experiência imersiva e diferenciada.


A trama acompanha uma família que se muda para uma nova residência na tentativa de recomeçar após perdas significativas. A matriarca Rebekah e seu marido Chris esforçam-se para manter a unidade familiar mesmo que em diversas vezes enxergamos que a mãe tem algumas coisas escondidas, enquanto seus filhos, Tyler e Chloe, lidam com suas próprias angústias. Chloe, em particular, é assombrada pela morte misteriosa de sua melhor amiga, acreditando que seu espírito agora habita o novo lar.


Soderbergh utiliza planos-sequência e a técnica de ponto de vista (POV) o mesmo que o seu tiktok preferido adora utilizar para colocar o espectador na posição do espírito observador, criando uma atmosfera claustrofóbica e intimidadora. Essa escolha estilística, embora audaciosa, resulta em uma desconexão emocional com os personagens, especialmente com Chloe, cuja vulnerabilidade é central para a narrativa.


O roteiro, insere elementos como a aparição de uma médium e insinuações sobre o passado de Rebekah, mas esses aspectos são pouco desenvolvidos, deixando lacunas na história. Além disso, a ausência de closes e a constante distância da câmera dificultam a empatia do público com os personagens e reduzem a tensão esperada em um thriller sobrenatural.


Daqui em diante é só spoiler


Mas é no desfecho que Presença revela sua faceta mais simbólica e perturbadora. A inesperada aparição do irmão de Chloe, até então apenas uma sombra no pano de fundo da narrativa até porque todas as cenas dele é pra se vangloriar de algo ou citar que a irmã está errada/maluca sobre alguma coisa. Então ele aparecer no espelho no final, não se trata de um susto gratuito, mas de uma virada dramática profundamente enraizada no tema central do filme: o luto que se recusa a ser nomeado.


A ideia da presença observadora estar "presa entre o presente e o futuro", como menciona a médium em uma cena-chave, ganha nova camada de sentido quando interpretamos que essa presença seja, desde o início, o irmão de Chloe. Ele não apenas representa um trauma não resolvido do passado, mas também um elo emocional que impedia a protagonista de seguir em frente. Estar "entre o presente e o futuro" é, simbolicamente, estar em suspensão: um estado em que nem o luto foi aceito, nem a vida conseguiu continuar. Assim, a presença do irmão seria a manifestação dessa pausa existencial, uma dor que estagna, que observa, mas não se comunica até ser finalmente reconhecida.


Neste momento, o espectador compreende que o "espírito" que observou toda a história pode muito bem ser uma projeção da própria Chloe, uma consciência diluída no sofrimento, vagando entre a realidade e o inconsciente. A figura do irmão surge, então, como a última chave — o fragmento da memória mais doloroso, aquele que foi trancado para que a mente pudesse continuar funcionando. Sua aparição representa não apenas a materialização do luto, mas o confronto inevitável com tudo o que foi evitado.


Ao invés de fechar com uma catarse tradicional, Soderbergh opta por um silêncio desconcertante, onde a verdade não é explicada, mas sentida — uma escolha que honra a natureza subjetiva do trauma e o fato de que, às vezes, nossos maiores horrores não vêm de fora, mas de dentro.


Conclusão


Em suma, Presença é uma experiência cinematográfica que se destaca pela ousadia técnica e pela tentativa de inovar dentro do gênero. Contudo, a falta de desenvolvimento dos personagens e a desconexão emocional resultante das escolhas estilísticas impedem que o filme alcance seu potencial pleno. É um filme que mais se admira pela forma do que se envolve pelo conteúdo — mas que, em seu final simbólico, oferece um soco emocional silencioso o suficiente para ecoar por dias na mente do espectador.


Dito tudo isso, minha nota no Letterboxd foi: 3,5

29 de mar. de 2025

Uma salva de palmas para quem finalizou a temporada direito



Vamos começar esse post com essa imagem de talvez o único anime da temporada que eu me forcei assistir com a boba inocência de que ele ficaria melhor, eu sempre dropo zilhões de animes e até ai aceitável todo mundo faz isso, porém eu dei chances para esse anime ai, o começo é bom, o meio do anime excelente, mas a conclusão é uma atrocidade, eu assisti os dois últimos episódios em 2x só pra termina de vez. 


Mas tirando isso, a temporada toda foi uma felicidade constante, eu gostei muito dos animes que eu separei para assistir, e não só gostei como me comprometi assistir em todo lançamento e não deixa passar dias até virar dois episódios, três episódios e uma bola de neve sem fim, até porque vamos ser sinceros, quem aqui nunca começou a ver um anime que é bom, mas começa a ficar bem fraquinho e você está doido para termina, mas não quer assistir logo quando sai, ai deixa acumulando episódios até ficar com quase metade da temporada sem ver, passa temporada e ele está ali e você sempre dizendo "eu vou termina"... Você não vai. 


Por isso eu digo com muita felicidade que eu superei meus maiores conflitos internos e todo anime que eu foquei em assistir, eu terminei ele junto da temporada, até porque eu já tinha começado a temporada de janeiro com dois animes da temporada passada, que era muito bom e do nada começou a ficar chato e eu fiquei enrolando. 


Mas eu decidi que seria criterioso e só iria deixar o que de fato eu fosse ver e foi o que aconteceu, e termina a temporada zerado trás muito uma sensação de nostalgia, da época que eu assistir animes e tinha esse foco, e agora o único anime que de fato eu ainda não terminei foi Solo Leveling, mas ai vamos pensar né: até parece que eu vou deixar esse anime acumular, eu virar uma bola de neve.


Enfim, temporada zerada e finalmente em paz, para esperar as próximas atrocidades que vão perturbar nossa semana, eu estou bem neutro com os animes que estão para chegar, nem pensamento bom, nem ruim.